Serra desistiu da Presidência e vai ser prefeito por 8 anos, diz Kassab
- Marina Novaes
- Direto de São Paulo
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), disse na tarde desta terça-feira que o ex-governador e pré-candidato do PSDB à sucessão municipal, José Serra, "abandonou" seu projeto de disputar a Presidência da República e que, ao contrário do que ocorreu em sua primeira gestão como prefeito, cumprirá os quatro anos de mandato, caso seja eleito neste ano.
Um dos principais aliados de Serra na corrida municipal, Kassab afirmou ainda que, não só Serra cumprirá o mandato integral como prefeito, como concorrerá - e ganhará - a disputa pela reeleição em 2016.
"O Serra abandonou o projeto de ser presidente da República. A cidade de São Paulo ganha muito com sua decisão. (...) Ele tem muita consciência de que vai ficar os quatro anos e está muito feliz com isso. Ele se definiu. E eu digo: ele vai ficar oito (anos)! Porque ele vai ser um grande prefeito, vai, se Deus quiser, ganhar a eleição, graças ao que vai mostrar na campanha que vai realizar, e vai se reeleger, então ele vai ficar oito anos à frente da cidade de São Paulo", afirmou.
Serra tem sido alvo de críticas dos adversários por ter deixado a administração municipal para disputar, em 2006, o governo do Estado. Durante a campanha eleitoral de 2004, porém, ele havia assinado um documento em que se comprometia a cumprir o mandato integral à frente da prefeitura. Ontem, em entrevista à rádio Capital, o tucano afirmou que o compromisso assinado não era oficial e que se tratava de "um papelzinho".
Kassab minimizou a declaração do aliado, que classificou apenas como uma "força de expressão". "Não foi pejorativo", garantiu. Segundo o prefeito, neste ano, Serra cumprirá sua palavra, pois a cobrança hoje é "mais profunda".
"Eu sempre digo que, por conta da sua decisão de deixar a prefeitura em 2006, a cidade está muito mais ligada nessa questão. (...) É evidente que o Serra não achava que ia sair, senão ele não seria candidato. Depois, teve circunstâncias políticas que o levaram a deixar, e vamos aqui registrar: a cidade o apoiou, tanto é que ele ganhou para governador", disse o prefeito. "Agora a questão é muito maior, é a cidade que está cobrando isso de todos os candidatos, inclusive dele. (...) Agora é diferente, é mais profundo, em função da própria decisão dele, então ele não vai sair (da prefeitura)", garantiu.
Críticas
Kassab falou com a imprensa após participar de um seminário sobre gestão municipal na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), na capital paulista. O prefeito também minimizou as críticas que vem recebendo dos demais pré-candidatos à prefeitura. "É natural, é a beleza da democracia", disse.
Ele, porém, afirmou discordar dos prefeituráveis que, na última semana, criticaram a realização da inspeção veicular na cidade, como o pré-candidato do PT, Fernando Haddad, e do PMDB, Gabriel Chalita, que condenaram a cobrança de taxa para os motoristas. "Nós tivemos nessa semana, por exemplo, o tema da inspeção veicular, candidatos dizendo que vão acabar com o programa (em referência à declarações de Gabriel Chalita), o que eu acho lamentável. E candidatos dizendo que vão acabar com a taxa (em relação ao Fernando Haddad), o que é discurso. (...) É um discurso de campanha, campanha é campanha", avaliou.
Pela manhã, Kassab formalizou o apoio do PSD ao pré-candidato do PT à Prefeitura de Salvador (BA), Nelson Pellegrino, em evento na capital baiana. E apesar de em São Paulo o partido ter abandonado o PT após um rápido "namoro", e agora apoie o PSDB, o prefeito disse não ver estranheza na aliança na Bahia. "É natural. O partido foi fundado na Bahia, nasceu na Bahia, então hoje teve também essa decisão da direção (do diretório do PSD) em Salvador e tem o nosso apoio, evidentemente."