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PT faz ato contra declaração separatista de Coronel Telhada

Após resultado que garantiu reeleição da presidente Dilma, tucano defendeu que Sul e Sudeste se separassem do País

6 nov 2014
21h36
atualizado às 22h50
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A bancada de vereadores do PT de São Paulo realizou, na noite desta quinta-feira, um ato de protesto contra as “mensagens xenofóbicas disseminadas pelas redes sociais contra as regiões Norte e Nordeste do País após a reeleição da presidenta Dilma Rousseff”, com destaque para as declarações separatistas do vereador e deputado estadual eleito Coronel Telhada (PSDB), ex-comandante da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar).

<p>O músico e poeta Téo Azevedo se apresenta em ato contra a discriminação, na Câmara Municipal de São Paulo</p>
O músico e poeta Téo Azevedo se apresenta em ato contra a discriminação, na Câmara Municipal de São Paulo
Foto: Débora Melo / Terra

Logo após o resultado das urnas, Telhada disse, em seu perfil no Facebook, que os Estados das regiões Sul e Sudeste deveriam iniciar um “processo de independência”. “Por que devemos nos submeter a esse governo escolhido pelo Norte e Nordeste? Eles que paguem o preço sozinhos", escreveu o tucano, sendo criticado até mesmo dentro de seu próprio partido. Na semana passada, o PT protocolou representações contra Telhada na Corregedoria da Câmara e no Ministério Público, por quebra de decoro e preconceito.

O evento de repúdio a essa e outras declarações separatistas e xenofóbicas foi realizado no plenário da Câmara Municipal de São Paulo. Na abertura, o líder do PT na Casa, vereador Alfredinho, lembrou o pedido de intervenção militar feito por manifestantes que, no último sábado, participaram de um protesto pelo impeachment da presidente Dilma, em São Paulo.

“A democracia é tão boa que, se não fosse ela, nem esses que pregam a volta da ditadura poderiam se expressar”, afirmou o vereador, que ainda contou um episódio em que sofreu discriminação por ser nordestino. “Eu sou nordestino, com muito orgulho. Admiro os que vieram para cá e venceram e admiro os que continuam lá, vencendo lá”, continuou Alfredinho.

A cerimônia, intitulada "Somos todos brasileiros, somos todas brasileiras: A favor da democracia contra o preconceito e a discriminação", foi aberta com uma intervenção poética, seguida de apresentação do músico e poeta Téo Azevedo e, ainda, coral de crianças indígenas. Também foi convidado o ator Sérgio Mamberti, que afirmou, em discurso, que as ideias separatistas são “uma herança do processo autoritário”.

“Não aceitamos retrocesso, não aceitamos essa visão separatista. Estamos há anos tentando construir um País mais justo. Não podemos esquecer que tivemos uma prefeita nordestina, Luiza Erundina, que teve uma atuação marcante. Também não podemos esquecer nosso presidente nordestino, Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje, o que nos une aqui é o repúdio a qualquer tipo de discriminação”, afirmou Mamberti.

Também estiveram presentes na cerimônia o deputado estadual Adriano Diogo (PT) e o presidente da Câmara, vereador José Américo Dias (PT), que voltou a lembrar do protesto do último sábado. "É a matéria-prima da aglutinação de uma extrema-direita no Brasil”, disse Américo.

A manifestação que pediu intervenção militar no País também foi tema do discurso do secretário municipal de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, Rogério Sotilli. “Nosso avanço democrático não pode ser colocado em risco por movimentos pequenos e sem expressão. Mas precisamos ficar atentos. Não podemos esquecer que esse ódio do período eleitoral não é algo novo, é fruto da cultura de violência da ditatura”, afirmou o secretário.

Fonte: Terra
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