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Política

PR: Ducci entrega governo de Curitiba com desafios para Fruet

28 dez 2012 - 16h56
(atualizado às 16h56)
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Curitiba encerra, no dia 31, um ciclo de 24 anos com o mesmo grupo político no comando da cidade. Desde Jaime Lerner, em 1988, o prefeito da capital paranaense ou fez seu sucessor ou se reelegeu. Neste período, passaram pela prefeitura da cidade Rafael Greca (1993 – 96), Cássio Taniguchi (97 – 2004), Beto Richa (2005 – 2010) e Luciano Ducci (2010 – 2012). Nas eleições deste ano, no entanto, os curitibanos optaram pela mudança, elegendo Gustavo Fruet (PDT), que, até o ano passado, pertencia a este mesmo grupo político, mas rompeu por falta de espaço, para disputar a prefeitura ao lado do PT.

Luciano Ducci entrega a prefeitura de Curitiba para Gustavo Fruet
Luciano Ducci entrega a prefeitura de Curitiba para Gustavo Fruet
Foto: Roger Pereira / Especial para Terra

Neste período, Curitiba foi destaque nacional, sendo apontada como cidade modelo, principalmente por conta de sua estrutura de transporte e pela criação de diversos parques na cidade, que a credenciaram a receber o título de capital ecológica do Brasil. Os títulos, no entanto, não fizeram tão bem para a cidade. Curitiba cresceu e ganhou problemas semelhantes aos das maiores cidades brasileiras, como trânsito, pobreza e violência. A cidade mantém-se com alguns dos melhores índices de desenvolvimento do País, mas não encontrou soluções para esses novos problemas e perdeu o conceito de cidade inovadora, o que levou a população a, pela primeira vez, não reeleger um prefeito que disputava a eleição.

Vice de Beto Richa (PSDB) nas eleições de 2004 e 2008, Luciano Ducci (PSB) herdou a prefeitura quando o tucano renunciou para disputar (e vencer) a eleição para o governo do Estado. Com apenas dois anos de mandato e desconhecido da população, Ducci teve dificuldades de impor o seu perfil e afastar-se da sombra de Richa. Alguns problemas herdados e a necessidade de impor sua marca para viabilizar o projeto de reeleição marcaram os dois anos de governo Ducci.

“A mais eficiente avaliação da prefeitura é o resultado da eleição. Foi a primeira vez que o candidato à reeleição não venceu em Curitiba. E pior, não foi nem para o segundo turno. Mais de 70% da população da cidade votou pela mudança”, comenta o vereador Pedro Paulo (PT), um dos poucos opositores de Ducci na Câmara Municipal de Curitiba, onde o prefeito contou com o apoio de 30 dos 38 vereadores. “Houve desconexão entre projeto, proposta e realizações. Não faltou o nosso alerta para problemas de gestão na área de habitação, mobilidade, politica local de segurança pública, saúde”, acrescentou. 

Ao analisar seu mandato, Ducci destaca que entrega Curitiba com a menor taxa de desemprego do País, os menores índices de pobreza, a menor taxa de mortalidade infantil, o melhor resultado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que avalia a qualidade da educação básica no País. “Para mim, esses índices são a avaliação de nosso governo”. Mas Pedro Paulo contesta: “Curitiba tem algumas especificidades, por conta da referência que Curitiba sempre foi. Nada de excepcional foi feito nos últimos anos. Não da para confundir a história, a imagem de uma cidade, com uma gestão, uma política de dois anos. E há índices que o prefeito esqueceu de comentar, como o que coloca Curitiba como a sexta cidade mais violenta do País, por exemplo. Eram soluções para problemas como esse que a população estava esperando desta gestão”. 

O problema da segurança começou a ser combatido com mais intensidade neste ano, com a implantação das Unidades Paraná Seguro (UPS), semelhantes às UPPs do Rio de Janeiro, numa parceria do governo do Estado com a prefeitura. Mas Ducci enfrentou, ainda, outros problemas, como transporte, radares, lixo e saúde.

Transporte coletivo

Durante a gestão Ducci, ocorreu a primeira licitação do transporte coletivo de Curitiba. Mas, um ano depois da licitação, as empresas já alegam déficit de R$ 100 milhões no sistema. A tarifa técnica, calculada pela prefeitura, está em R$ 2,87, enquanto a cobrada do usuário é de R$ 2,60. Esta diferença está sendo bancada por um subsídio do governo do Estado ao sistema, pelo fato de o transporte de Curitiba também atender aos moradores da região metropolitana. Mas o subsídio não foi garantido pelo governador Beto Richa para o ano que vem. Na gestão Ducci, Curitiba conseguiu viabilizar R$ 1 bilhão do governo federal para a construção do metrô de Curitiba, entretanto, o projeto ainda não foi licitado.

A gestão Richa/Ducci assumiu a prefeitura prometendo acabar com a “indústria da multa em Curitiba”. No primeiro mandato de Beto Richa, em 2005, a prefeitura sinalizou a posição de todos os radares da cidade. Mas o “combate” acabou por aí. Após uma disputa judicial, que deixou a cidade sem radares por um tempo, os contratos com a empresa que gere o sistema na cidade foram prorrogados. Posteriormente, já na gestão Ducci, uma reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, denunciou a possibilidade de se manipularem as informações do sistema. O prefeito, de pronto, anunciou o cancelamento dos contratos, mas a empresa seguiu operando.

Aterro sanitário

Na questão dos resíduos sólidos, a dupla Richa/Ducci assumiu a prefeitura com o prazo do aterro sanitário da Caximba já esgotado. Conseguiu a manutenção emergencial do funcionamento do aterro por não encontrar um novo local para depositar o lixo da cidade. Até que a Justiça determinou o fechamento do aterro e, também de forma emergencial, foi licitado um novo aterro no município de Fazenda Rio Grande.

Saúde

Na saúde, algumas das principais críticas ao prefeito. Apesar de Curitiba ter o programa Mãe Curitibana, premiado mundialmente pela eficácia no combate à mortalidade infantil, Ducci, que é médico do quadro da prefeitura e foi secretário municipal de saúde enquanto vice-prefeito, modificou o sistema de contratação para a saúde, criando o Instituto Curitiba de Saúde e, com isso, enfrentou greve dos servidores, falta de médicos nas unidades básicas e filas de meses para a marcação de consultas de especialidade pelo Sistema Único de Saúde.

Assim, Gustavo Fruet toma posse em 1º. de janeiro com alguns desafios iniciais, como a questão da segurança, a resolução do problema da saúde, definindo qual sistema usará, a nova licitação do lixo e a questão do transporte público, com a definição do projeto do metrô, que já tem R$ 1 bilhão liberado pelo governo federal.

Confira o balanço da gestão de Ducci feito pelo próprio prefeito:

Terra: Que cidade o senhor entrega para seu sucessor no dia primeiro?

Luciano Ducci: Já entrego o mandato com saudades de ser prefeito da cidade porque foi um orgulho muito grande ser prefeito de Curitiba, ter ajudado a transformá-la, a melhorar nossos indicadores sociais. Tenho certeza que a gente entrega a cidade com bons resultados, para que o próximo prefeito possa dar continuidade à história de referência que nossa cidade tem no Brasil e fora do Brasil. Temos indicadores da nossa gestão que são marcantes: a cidade que mais diminuiu pobreza nos últimos cinco anos, menor taxa de desemprego, maior salário médio, quarto maior PIB do País, menor taxa de mortalidade infantil e melhor Ideb entre as capitais ao longo dos último oito anos. São dados muito fortes e se somam a esse último dado, do índice Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), que nos coloca Curitiba como a capital com melhor qualidade de vida no Brasil. Esses indicadores mostram que a cidade foi bem cuidada. Fizemos grandes obras, ainda estamos fazendo, criamos mais de mil vagas em creches, inovamos no transporte coletivo, com o ônibus híbrido, o Ligeirão, o projeto do metrô. Foi uma gestão consistente em termos de realizações.

Terra: Com apenas dois anos de mandato, muitas de suas obras só serão entregues nos próximos anos. Isso chega a frustrá-lo?

Ducci: Tem bastante obra que será inaugurada nos próximos anos e claro que vamos lá dar uma passeadinha para ver como ficou, com aquele sentimento que foi a gente que viabilizou. Como uma obra que foi bastante criticada durante o período eleitoral, que é a ponte estaiada, mas que tenho certeza que será um dos cartões postais de nossa cidade, a porta de entrada de Curitiba. Mas as obras que deixamos para o próximo prefeito inaugurar também mostram que cuidamos bem da cidade e deixamos tudo encaminhado para o sucessor, mesmo perdendo a eleição.

Terra: E o que o senhor deixou de fazer, por falta de tempo, de recursos, ou por ter outras prioridades?

Ducci: Eu queria ter começado, pelo menos, o metrô. Foi uma obra pela qual batalhei bastante durante todo o mandato, viabilizando o projeto, buscando os recursos conversando com o governo federal. Conseguimos, finalmente, há um ano, R$ 1 bilhão, com a presidente Dilma dizendo que é o melhor projeto do Brasil, ter trabalhado para montar toda a modelagem, ter tudo pronto, mas, infelizmente não ter tido tempo de fazer a licitação para dar início às obras, por conta de processos burocráticos ainda pendentes, que devem ser assinados já no início de janeiro. 

Terra: O seu sucessor, Gustavo Fruet, disse que quer rever o projeto do metrô, que cogita alterá-lo.

Ducci: Vou comentar fazendo um paralelo com a Linha Verde. Quando assumimos, em 2005, a prefeitura praticamente estava perdendo os recursos da linha verde por conta do processo licitatório que não estava ocorrendo. Nós não tivemos dúvidas, corremos atrás do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e conseguimos os recursos com a condição que se licitasse logo, o projeto do jeito que ele estava. Fizemos isso e está aí a Linha Verde. Se não tivesse licitado, poderíamos corrigir algumas coisas no projeto, mas teríamos a BR-116 cruzando a cidade até hoje. E o metrô, que já foi discutido por três anos, lógico que cabe a ele decidir se vai rediscutir ou não, mas o projeto é consistente, é o único projeto viável de metrô e, se quiser realmente fazer o metrô tem que seguir esse projeto já traçado. Não pode ser pequeno de não querer fazer um projeto só porque é do antecessor.

Terra: O senhor e o Beto Richa assumiram a cidade, entre outros problemas, enfrentando duas questões emergenciais: o lixo e o transporte público. Como avalia as soluções encontradas para os dois casos?

Ducci: O transporte coletivo foi plenamente resolvido. Fizemos a licitação, assinamos os contratos, quem participou da licitação conheceu de forma muito clara e muito transparente todos os parâmetros do edital de licitação. Venceram o processo e o processo está rodando. Então não existe nenhuma brecha para desculpa por parte dos empresários de dizerem, agora, que há algum tipo de defasagem. A licitação foi transparente, com parâmetros muito claros e a gente está cumprindo todos os parâmetros. Ainda avançamos mais, com o Ligeirão, o ônibus híbrido elétrico, as novas linhas. A questão do lixo, há uma confusão muito grande com a questão do aterro. Mas eu resolvi a questão do aterro, pois eu fui o prefeito que fechou a Caximba. Quando ninguém acreditava que eu ia conseguir fechar, no mês de novembro de 2010, em cima de uma demanda do Ministério Público, eu fechei e abri um aterro sanitário novo, em parceria com os municípios da região metropolitana de Curitiba, na Fazenda Rio Grande, que foi credenciado. É um aterro que tem credenciamento garantido até novembro de 2014, que pode ser prorrogado por quantos anos forem necessários. E tem uma outra situação que é a usina de reaproveitamento. Esse outro processo, fizemos toda a licitação, mas os consórcios que foram para a fase final estão discutindo entre eles na Justiça. Mas o problema principal era não ter aterro. E hoje o aterro existe e está garantido.

Terra: Sobre o transporte público, então, o Gustavo Fruet pode ficar tranquilo que não precisará aumentar a tarifa já no início do mandato?

Ducci: A questão é outra, não é de aumentar a tarifa ou não. Há um contrato que prevê o reequilíbrio financeiro todo mês de fevereiro. A tarifa técnica, hoje, está em R$ 2,87 e o cidadão paga R$ 2,60, porque tem um subsídio. Se ele vai aumentar o subsídio para manter a tarifa como está, é um problema que ele tem que decidir. Agora, o empresário do transporte de Curitiba não pode reclamar nada porque ele recebe R$ 2,87 e recebe em dia. 

Terra: O senhor vem sendo criticado pelo fato de, depois das eleições, algumas obras terem diminuído de ritmo e outras, até, parado.

Ducci: Pelo contrário, tem obras que aumentaram o seu ritmo e apenas duas obras que estão com dificuldades. As obras com dificuldades são a Marechal Floriano e a Linha Verde Sul, que são obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Copa, para as quais a prefeitura já deu toda a sua contrapartida financeira, mas o governo federal está com dificuldade no repasse dos recursos através da Caixa Econômica para as empresas que estão executando as obras e, por isso, as empresas pararam. Hoje é apenas essa dificuldade, muito clara e pontual. As outras obras estão em ritmo acelerado, muitas delas concluiremos até o final do ano.

Terra: E quais desafios o senhor vê para a gestão do Fruet?

Ducci: Eu posso falar sobre aquilo que estava propondo para a minha gestão, pois a prioridade dele pode não ser a mesma que a minha. A minha prioridade para o próximo ano era tirar as pessoas da beira de rio. Fazer todos os investimentos necessários para dar moradia digna para as 7,5 mil famílias que ainda moram na beira de rio na nossa cidade. Outra proposta forte era a eliminação da miséria na cidade, que começava pela retirada dessas famílias. Lógico que vai ter sempre os desafios da saúde, da educação. Mas manter os serviços da cidade, manter a cidade como ela é hoje, crescendo, sendo bem cuidada, limpa, bonita, com seus programas, como a virada cultural, manterá a cidade no bom caminho.

Terra: Passados mais de dois meses da eleição, que conclusão o senhor tirou sobre os motivos de ter ficado fora do segundo turno?

Ducci: Fazer avaliação depois de um resultado é muito simples. Fica fácil encontrar argumentos ou motivos para você não ter vencido o processo eleitoral. Então, o importante é pensar para a frente. Hoje a gente está parando de fazer esse tipo de análise, mesmo porque a diferença foi muito pequena, 4 mil votos, num universo de 1,1 milhão de votos. Então, foi uma somatória de várias questões, de descuidos mesmo, principalmente na reta final da campanha, questões de comunicação, questões de posicionamento ético durante o processo eleitoral. Mas estou muito tranquilo, pois os indicadores mostram que, durante a nossa gestão, a cidade caminhou para frente.

Terra: E nesse “pensar para a frente”, qual será seu futuro político?

Ducci: Estou pensando, primeiro, em tirar umas férias. Mas, na sequência disso, vou assumir um papel de coordenação estadual do partido. Fazer um trabalho com a militância para a gente estruturar bem o partido no Paraná. O PSB é um partido com projeto nacional, com projeção nacional, com nosso grande líder que é o Eduardo Campos. Então a gente tem que preparar bem o partido para que a gente possa fazer esse trabalho de forma adequado. E na questão mais pessoal, participaremos do processo eleitoral de forma efetiva em 2014, ainda discutindo o processo como um todo, mas com certeza não será na Assembleia Legislativa.

Fonte: Especial para Terra
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