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Plebiscito nasceu morto e governo sabia, diz Aécio

4 jul 2013
15h41
atualizado às 17h03
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Presidente nacional do PSDB, principal partido de oposição ao governo, o senador Aécio Neves (MG) condenou o recuo do Planalto em realizar plebiscito ainda este ano. Defendido pelos governistas, a ideia era consultar a população sobre uma reforma política ainda este ano para que ela já valesse para as próximas eleições. No entanto, após reunião entre os membros do PMDB - maior partido da base aliada - o vice-presidente da República e presidente licenciado da legenda, Michel Temer, admitiu que não há condições de aplicar as novas regras para o pleito de 2014.

“O plebiscito nasceu morto e o governo sabia disso. O governo quando criou a constituinte exclusiva, que durou 24 horas, sabia que ela era inviável. Quando a presidente Dilma (Rousseff) fez a proposta de plebiscito sobre proposta tão complexa em prazo tão curto, sabia que era um engodo. Uma forma de desviar a atenção da população para as questões centrais”, afirmou Aécio.

O senador disse que a presidente tem errado e precisa garantir o que as manifestações pediram – segundo ele, “garantir financiamento para a saúde, para a educação, corte de gastos supérfluos, investir nos metrôs das capitais e agir com ética e com decência”. Em vez disso, para Aécio, Dilma tem “empurrado” as responsabilidades do governo para o Congresso.

“Nós, congressistas, temos, sim que votar entre tantas questões, o tema da reforma política. E nós da oposição defendemos que, votada a reforma política, possamos submetê-la a um referendo junto com as eleições do ano que vem. Isso é racional e bom para o Brasil. O resto é engodo, é um governo que não tem coragem de assumir as suas responsabilidades”, disse.

Aécio Neves condenou a atitude de Dilma, que anunciou, na última semana, os cinco pactos em torno de temas que considerou prioritários, mas sem consultar o Congresso nem partidos da oposição. Nem mesmo Temer foi ouvido antes do anúncio.

“Se você quer um pacto com o país, tem que chamar aqueles que tiveram quase metade dos votos nas últimas eleições. Não, ela preferiu fazer um pacto com aqueles que lhe dizem amém. A presidente chamou governadores e prefeitos e os constrangeu todos porque só ela é que teve direito à palavra. Não foi um diálogo, foi um monólogo. Chamou segmentos da sociedade que o governo controla, muitos recebem mesada do governo e ignorou segmentos políticos que representam metade da população brasileira”, criticou.

Na próxima terça-feira, o PSDB vai apresentar, na reunião da executiva nacional, o conjunto de ideias consensuais do partido. “Vamos conversar com outras forças partidárias na próxima semana e estamos dispostos a construir uma agenda no parlamento para uma reforma política que atenda ao país, e não ao partido da presidente da República”, finalizou o pré-candidato do PSDB à presidência.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas. 

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Fonte: Terra
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