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"Pessoas têm que mostrar sua cara", diz Cabral sobre proibição a máscaras

2 set 2013
11h44
atualizado às 11h46
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Principal alvo dos protestos populares no Rio de Janeiro, o governador do Estado, Sérgio Cabral, comentou na manhã desta segunda-feira o projeto de lei que quer proibir manifestantes de cobrirem os rostos com máscaras e camisetas durante os atos. A proposta deve ser votada na terça-feira, na plenária da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

"Eu acho que é um conceito absolutamente correto. Acho que as pessoas têm que mostrar sua cara. Essa é minha opinião individual", disse o governador, em evento que recepcionou sete judocas brasileiros que participaram do Mundial da modalidade, realizado no ginásio do Maracanãzinho.

Assinado pelos deputados Paulo Melo, presidente da Alerj, e Domingos Brazão, ambos do PMDB, o projeto de lei, se aprovado, tornará o Rio de Janeiro o segundo Estado do Brasil a proibir manifestantes com os rostos cobertos durante manifestações - o primeiro foi Pernambuco, onde a determinação já está em vigor.

"É uma iniciativa do parlamento. Tem que aguardar sua votação final. Só depois de aprovado que ele vem para ser sancionado. Vamos aguardar", disse Cabral. Desde que as manifestações eclodiram pelas principais capitais brasileiras, o governador do Rio de Janeiro tem sido o principal alvo dos ativistas, que o classificam, sobretudo, de "ditador".

Ao longo dos últimos meses, algumas reportagens aumentaram ainda mais o ódio da população - entre elas, uma que a revista Veja publicou sobre o uso para fins particulares dos helicópteros do Estado, que estariam sendo usados para levar a família de Cabral para Mangaratiba, na Costa Verde, onde ele tem uma mansão.

Manifestantes já se reuniram várias vezes em frente à casa de Cabral, no bairro do Leblon, que já foi palco ainda de confrontos com a Polícia Militar. Um grupo segue acampado no local, na avenida Delfim Moreira, endereço nobre da zona sul da capital fluminense. O Palácio Guanabara, sede do governo, é outro local constante de manifestações. 

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra

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