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Novo protesto contra Cabral termina com confronto no Rio

27 ago 2013
20h06
atualizado em 28/8/2013 às 07h40
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Um protesto contra o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), terminou em novo confronto nas ruas de Laranjeiras, na zona sul da capital fluminense, na noite desta terça-feira. Manifestantes e policiais militares entraram em confronto quando o ato chegou nas proximidades do Palácio Guanabara, sede do governo estadual. O Batalhão de Choque da PM entrou em ação, lançando bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e dando tiros com balas de borracha em direção aos manifestantes.

<p>Tropa de Choque monitora movimentação de manifestantes no Largo do Machado, no Rio</p>
Tropa de Choque monitora movimentação de manifestantes no Largo do Machado, no Rio
Foto: Reynaldo Vasconcelos / Futura Press

Há registro de pessoas feridas, inclusive por tiros com balas de borracha. Houve corre-corre pelas ruas de Laranjeiras. Os manifestantes se dispersaram, montando barricadas, formadas por lixo e lixeiras, arrancadas e incendiadas. A polícia segue atrás dos que protestam pelas ruas da região.

O grupo Black Bloc participa do ato. Mascarados e vestidos de preto, eles se mantêm de braços dados, e carregam também escudos de madeira, com o símbolo do anarquismo. Policiais acompanham o protesto. Nas imediações do Palácio Guanabara, PMs do Batalhão de Choque, cuja postura vem sendo classificada como violenta pelos manifestantes, estão a postos.

O público que protesta pede a saída de Cabral do governo, e pede informações sobre o pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido desde o dia 14 de julho, quando foi levado para uma base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da favela da Rocinha.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Colaborou com esta notícia o internauta João Otavio Nunes, do Rio de Janeiro(RJ), que participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

Fonte: Terra

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