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Patriota quer consenso na ONU para fim da violência na Síria

2 ago 2011
17h54
atualizado às 18h10
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O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, defendeu nesta terça-feira que o Conselho de Segurança das Nações Unidas busque uma "resposta consensual" para encerrar a crise na Síria. Segundo ele, o governo do Brasil é favorável à definição de um "denominador comum" que acabe com a violência na região e leve às reformas estruturais reivindicadas pelos sírios. O chanceler reiterou ainda a "indignação" do Brasil com os atos de violência na Síria.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, recebe o alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, no Palácio Itamaraty
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, recebe o alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, no Palácio Itamaraty
Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

"Expressamos ontem, em nota à imprensa, nossa indignação com esses acontecimentos recentes. Instamos o governo sírio a cumprir o que eles próprios prometeram: reformas com sentido de urgência", disse Patriota, após reunião com o alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, no Itamaraty. Ao manifestar a indignação brasileira, o chanceler referia-se à morte de 140 civis no fim de semana em decorrência de conflitos com forças ligadas ao governo sírio.

Segundo o chanceler, como em ocasiões anteriores, o Brasil está em consulta com os demais membros do Conselho de Segurança da ONU, na medida do possível em busca de uma resposta consensual. "As afirmações adotadas por consenso (pela entidade) têm muito mais força, como foi, por exemplo, a resolução sobre a Líbia (condenando os atos de violência)", acrescentou Patriota.

O ministro lembrou os esforços na busca de um "denominador comum" e ressaltou que o grupo do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) negocia o envio de representantes para a Turquia, onde se concentram as articulações com a Síria. "Estamos privilegiando neste momento a coordenação do Ibas e negociando termos de transferência para uma gestão conjunta dos três países com as autoridades de Damasco, instando o governo sírio a proceder as reformas dentro do mais breve prazo e a pôr fim à violência, que já resultou em mortes em uma escala inteiramente inaceitável, que precisa ser objeto de uma reação que ponha fim a esse processo."

No Conselho de Segurança das Nações Unidas, os representantes do Brasil articulam a aprovação de uma medida denominada declaração presidencial. Nela, o órgão emite uma espécie de alerta ao governo da Síria, repudiando a violência e apelando pela execução de reformas e pela defesa das liberdades fundamentais.

O agravamento da crise na Síria é tema de mais uma reunião nesta terça-feira no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ontem, a reunião terminou sem consenso e sob tensão. Europeus e norte-americanos defenderam a ampliação de sanções e restrições à Síria. A Rússia se manifestou contrariamente. O Conselho de Segurança é formado por 15 países, dos quais cinco são permanentes. Se houver resistência de um deles, a decisão não é definida. Os membros permanentes são: China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. Os assentos rotativos são ocupados por Bósnia-Herzegovina, Alemanha, Portugal, Brasil, Índia, África do Sul, Colômbia, Líbano, Gabão e Nigéria.

Paralelamente, são discutidas propostas de resolução, como defendem os europeus e norte-americanos, e também de declaração à imprensa, que tem o peso de uma prestação de contas à comunidade internacional. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Tovar Nunes, disse que o acirramento da situação na Síria não permite demora na definição de medidas. "Não é aceitável cruzar os braços e esperar que a situação se resolva por si só."

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