Pastor é preso por mensagem anti-guerra na Rússia e se torna símbolo da perseguição religiosa
Durante o sermão, transmitido ao vivo, Romanyuk declarou: "Não é nossa guerra. Está escrito em nossa doutrina que somos pacifistas e não podemos participar disso.
A prisão do pastor Nikolay Romanyuk, líder da Igreja Pentecostal da Santíssima Trindade, tem gerado comoção dentro e fora da Rússia. Ele foi condenado no início de setembro de 2025 a quatro anos de prisão em um campo de trabalhos forçados após pregar uma mensagem anti-guerra em sua igreja, onde expressou sua oposição à invasão da Ucrânia com base em convicções religiosas pacifistas.
Durante o sermão, transmitido ao vivo em setembro de 2022, Romanyuk declarou: "Não é nossa guerra. Está escrito em nossa doutrina que somos pacifistas e não podemos participar disso. É nosso direito professá-lo com base na Sagrada Escritura". A pregação, no entanto, foi interpretada pelas autoridades como um "apelo público contra a segurança do Estado", acusando-o falsamente de incitar a população a interferir no alistamento militar.
A mensagem anti-guerra do pastor nunca incluiu incentivo à desobediência civil, algo confirmado inclusive por testemunhas como um tenente-coronel do exército e um funcionário do Ministério de Situações de Emergência. Ainda assim, o tribunal de Balashikha decidiu condená-lo com base em leis de segurança nacional frequentemente utilizadas para silenciar vozes dissidentes.
Preso desde outubro de 2024, Romanyuk sofre de hipertensão, psoríase e sequelas de um mini-AVC, o que agrava sua situação no centro de detenção preventiva em Noginsk, onde está confinado em condições precárias.
Sua filha, Svetlana Zhukova, denuncia a decisão como "cruel e injusta", apontando que seu pai foi condenado apenas por expressar sua fé. "O caso é completamente fabricado, motivado por ódio pessoal ou político. Papai foi punido por sua posição cristã e por uma mensagem anti-guerra que não feriu ninguém", afirmou.
A condenação de Nikolay Romanyuk se tornou um símbolo da perseguição religiosa na Rússia. Ele é o primeiro cidadão russo condenado sob a nova lei que criminaliza manifestações religiosas contra a guerra na Ucrânia. Organizações de direitos humanos, como o Forum 18 e Evangelical Focus, alertam que há uma escalada na censura estatal, com o bloqueio de sites cristãos e a perseguição de líderes religiosos que ousam contrariar a narrativa oficial do governo Putin.
Além de denunciar a guerra, Romanyuk destacou em sua pregação que a igreja orava por aqueles obrigados a lutar e não os condenava, mas também não os abençoava. Sua mensagem anti-guerra, embora baseada na fé e na doutrina cristã, foi tratada como crime de Estado.
Enquanto aguarda o julgamento de apelação no Tribunal Regional de Moscou, poucas são as esperanças de reversão. O caso levanta um alerta internacional sobre os limites da liberdade religiosa em regimes autoritários — especialmente quando a paz se torna motivo de prisão.