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Paris: sem Lula, jantar de gala para Dilma serviu prato de 6 mil euros

12 dez 2012 14h38
| atualizado às 15h41
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Os imensos lustres de cristal que decoram o salão de festas do Palácio do Eliseu, a sede do governo francês, em Paris, não ofuscaram a verdadeira constelação em que consistia a lista de convidados do jantar de gala oferecido pelo presidente francês, François Hollande, em honra à presidente Dilma Rousseff, na noite desta terça-feira. Celebridades e a elite do empresariado francês se misturaram à alta cúpula do governo socialista, que recebia pela primeira vez a brasileira em uma visita de Estado.

Ontem, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff estiveram presentes na abertura de um fórum na capital francesa
Ontem, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff estiveram presentes na abertura de um fórum na capital francesa
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula / Divulgação

As homenagens estavam por toda a parte. Cada uma das 27 mesas dispostas num dos mais belos salões de recepção da França, havia o nome de uma capital brasileira. Enquanto na "Brasília" os presidentes sentaram lado a lado, na "Rio de Janeiro", "Vitória" ou "Porto Alegre" foram estrategicamente posicionados nomes de destaque da política francesa, como o do primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault e do ex-premiê Lionel Jospin, além de nada menos do que 15 ministros do governo.

Mas também apareceram os nomes do ex-jogador de futebol Raí, do chef Alain Ducasse, da estilista Agnes B. e da apresentadora de televisão francesa Claire Chazal. Donos de fortunas brasileiros e franceses também circularam pelo luxuoso salão, como os presidentes das poderosas companhias Casino (dona do Pão de Açúcar), Dassault (fabricante dos caças Rafale) e a petroleira Total, do lado francês, e as construtoras brasileiras OAS e Andrade Gutierrez. Somados aos jornalistas - inclusive os correspondentes brasileiros em Paris, convidados pela primeira vez para uma ocasião como esta -, 250 pessoas degustaram o jantar.

No cardápio, a entrada de vieiras marinadas e o tartare de salmão defumado ao molho de pimenta rosada foi servida antes de um tenro frango de Bresse gratinado com parmesão, acompanhado de suflê de batatas com cenouras. Uma torta de mousse com avelãs fechou o banquete, regado a vinhos e champagne, evidentemente nacionais. Os brindes foram celebrados em taças de cristal onde se liam as iniciais RF, para República Francesa - assim como os pratos de porcelana, fabricados à mão pela marca Puiforcat, que estampavam a inscrição "Palácio do Eliseu" no verso. Cada prato pode custar até 6 mil euros.

No vai e vem sincronizado dos garçons de fraque, o grande ausente foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cancelou a presença de última hora - em mais uma tentativa de escapar ao assédio da imprensa diante das novas denúncias feitas pelo publicitário Marcos Valério à Procuradoria-Geral da República. "Ele estava cansado", justificaram próximos ao petista, que cumpre agenda em Paris desde segunda-feira.

Além da ilustre relação de presenças, a trilha sonora com partituras do século 17 e as peças do serviço de prata maciça - as da sobremesa eram ainda banhadas a ouro - não deixavam dúvidas: Hollande queria estender com toda a pompa o tapete vermelho à delegação brasileira. Neste ano, apenas um segundo país, a Itália, terá recebido distinção semelhante - enquanto que o ex-presidente Nicolas Sarkozy ofertou um jantar de Estado a somente sete líderes mundiais ao longo de seus cinco anos de mandato.

Ao lado de Hollande, que permaneceu com um largo sorriso no rosto ao longo de toda a noite, sua companheira Valérie Trierweiller atraiu os olhares indiscretos masculinos e de admiração femininos. Elegante em um discreto vestido preto e cinza acinturado, a companheira do presidente - que até agora não conseguiu sequer se aproximar da popularidade de que desfrutava a antecessora, a cantora e ex-top model Carla Bruni -, parecia deslocada, posicionando-se sempre atrás do presidente e se esforçando para não ocupar um papel de primeiro plano no evento. A postura faz parte de uma busca que já dura sete meses pelo papel ideal de primeira-dama quando, antes do poder, exercia a profissão de jornalista - no que muitos vêem como cargos incompatíveis.

Nem sempre acompanhado de Dilma, o casal anfitrião fez questão de passar em todas as mesas para cumprimentar os convidados. As mesas, aliás, eram decoradas com arranjos de minirrosas e pétalas espalhadas sobre a toalha branca, onde também estavam dispostos envelopes em papel machê, fechados com um delicado cordão nas cores do Brasil. Dentro dele, encontravam-se os discursos oficiais realizados na abertura do jantar, o menu e a trilha sonora tocada ao vivo pela Orquestra de Cordas da Guarda Republicana do Palácio do Eliseu - incluindo Tom Jobim e Villa Lobos.

Pontualmente às 23h, os instrumentos silenciaram e o casal presidencial dirigiu-se à saída - no rígido protocolo francês, este é o sinal de que a noite, literalmente excepcional, havia chegado ao fim.

Fonte: Especial para Terra
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