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Política

Palmas precisa investir em infra-estrutura, diz Raul Filho

16 jan 2009 - 08h26
(atualizado em 16/1/2009 às 21h20)
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O prefeito de Palmas, piauiense de nascimento, criou muito cedo raízes no Estado, mesmo antes de Tocantins ser criado. Raul de Lustosa Filho mudou-se aos cinco meses de idade com a família de Gilbués (PI) para a cidade de Araguaçu, antigo norte de Goiano, hoje Tocantins.

Raul Filho (PT) tomou posse na Praça do Espaço Cultural de Palmas
Raul Filho (PT) tomou posse na Praça do Espaço Cultural de Palmas
Foto: Geraldo Neto / Especial para Terra

A política é uma herança de família. Seu pai, Raul de Jesus Lima, foi vereador e prefeito de Araguaçu por dois mandatos consecutivos, além de ter colaborado na luta pela criação do novo Estado.

A vida política de Raul Filho começou em 1982, quando foi eleito prefeito da cidade de Araguaçu, com apenas 22 anos. Depois se elegeu deputado estadual em 1988, quando da criação do Estado. Foi reeleito deputado nos anos de 1990 e 1994.

Durante o segundo mandato de deputado, disputou a prefeitura de Palmas pela primeira vez, mas não foi eleito. Em 2000, voltou a disputar o cargo e perdeu por uma pequena diferença de votos.

Em 2003, Raul deixou o PPS e filiou-se ao PT. No ano seguinte, em sua terceira disputa consecutiva, foi eleito prefeito. Em 2008, foi reeleito com pouco mais de 44 % dos votos válidos. Confira abaixo a íntegra da entrevista ao Terra.

Palmas é a Capital mais jovem do País. Quais os principais problemas de uma capital ainda em desenvolvimento?

Palmas carece ainda de investimentos em sua infra-estrutura, na formação de mão de obra especializada e nas políticas públicas para fortalecimento da economia, com a criação de novos postos de emprego no setor privado. Com este objetivo continuamos trabalhando na estruturação de setores essenciais para o desenvolvimento socioeconômico de nossa Capital. Nesse novo momento, vamos continuar investindo na infra-estrutura da cidade, na qualificação de mão-de-obra e na humanização dos serviços ao cidadão em todas as áreas da administração municipal, com ênfase na saúde e na educação. Encaramos os desafios com força de vontade, criatividade e disposição para o trabalho.

Qual será a estratégia do governo para favorecer o crescimento monetário e industrial de Palmas? Haverá algum tipo de incentivo fiscal para o empresário? Por outro lado, sabemos que a mão-de-obra ainda precisa de mais qualificação. No ano passado, sobraram empregos no setor da construção civil, por exemplo. O que fazer para que o empresário se sinta atraído em Palmas e ao mesmo tempo obtenha as melhores condições operacionais?

Para que Palmas consolide o seu desenvolvimento econômico e social investimos na infra-estrutura dos parques industrial e ecoindustrial, facilitando o acesso aos espaços físicos, e incentivos à política tributária já criada pelo governo do Estado. Além disso, vamos incentivar a desburocratização e maior agilidade no processo para a implantação de novas empresas e a qualificação da mão-de-obra, ações que já realizamos em parceria com Escola Técnica Federal, Sebrae, Senai e Senac.

Vamos ainda implantar a Fundação Universidade de Palmas, com foco em cursos tecnológicos. Nesse sentido, ainda temos ações junto ao governo federal, como o programa Projovem, dentre outras. Também oferecemos uma das melhores logísticas do País que, com a implantação da Ferrovia Norte-Sul e do pólo multimodal, nos possibilitará ofertar uma diversidade de meios de transporte com vantagens de, em média, três a quatro semanas para os nossos produtos chegarem à Europa, através do Porto de Itaqui. Esse é um diferencial que os portos das regiões Sul e Sudeste não oferecem.

No Tocantins, a economia gira em torno do governo. Palmas ainda depende do governo estadual para se manter? Qual a porcentagem disso? Houve alguma evolução na dependência nos últimos quatro anos? É possível fazer com que Palmas seja uma Capital independente até o fim de sua gestão?

Atualmente, essa não é mais uma realidade, uma vez que o setor privado já contribui consideravelmente com a geração de empregos e renda. Entretanto, dada a sua complexidade e ao seu mau ordenamento urbano, Palmas necessita do apoio do governo do Estado, que infelizmente não tem correspondido efetivamente com as necessidades de capital.

Além disso, aumentamos o orçamento com uma política austera em arrecadação, sem aumentar impostos, e avançamos nos últimos quatro anos na capacidade de investimentos com recursos próprios. A cidade caminha para consolidar a sua autonomia, apesar do impacto da perda irreparável em nossa receita com a redução do FPM (Fundo de Participação do Município). Mas, até pela gravidade da situação, ainda acreditamos na reconsideração das autoridades competentes sobre o assunto.

O serviço de transporte público foi muito questionado nos quatro primeiros anos de seu governo, sobretudo em relação às linhas de ônibus. Palmas ainda vive um momento de adaptação do transporte público? Sabemos que Palmas é uma cidade espalhada. Há muitas queixas da população com relação à falta de linhas, de ônibus e de veículos cheios e com atraso. O que fazer para melhorar esse setor?

O sistema de transporte público de Palmas é moderno e foi elaborado para alcançar a excelência, levando em consideração a estrutura geográfica da cidade. O que precisa ser feito, agora, são ajustes e adequações que o governo municipal já está providenciando e, em breve, teremos todos estes problemas sanados.

Qual a maior conquista de sua primeira gestão e o que o senhor faria diferente se pudesse voltar atrás?

Consideramos que as maiores conquistas do nosso primeiro mandato foram a implantação das políticas públicas de educação integral e habitacional, bem como a instalação de uma rede de proteção social com gestão plena. O que estamos fazendo de diferente nesta gestão é a formação de uma equipe de trabalho mais integrada ao nosso projeto, tendo como foco a eficiência, o comprometimento e a humanização dos serviços públicos. É preciso que cada colaborador da administração municipal tenha a consciência de que o prefeito tem o poder de nomear, mas a permanência compete a cada um.

O turismo em Palmas poderia ser mais bem explorado? O que fazer para melhorar a imagem da cidade com relação ao turismo de natureza, ecoturismo, turismo de aventura?

Em nosso segundo governo, intensificaremos mais as ações, explorando nossos potenciais ecológicos e de eventos. Ambas são áreas capazes de influenciar na melhoria da qualidade de vida e na geração de emprego e renda. Para isso, estamos desenvolvendo ações estruturantes no Lago de Palmas, com a construção de novas praias e revitalização das já existentes. Buscando atrair os turistas, já garantimos recursos para reestruturar a região de Taquaruçu, com suas cachoeiras e mirantes. Estamos, também, elaborando um calendário de eventos para divulgação nacional.

O presidente da Câmara já foi escolhido. O vereador Wanderlei Barbosa (PSB) obteve oito dos 12 votos dos parlamentares. Como será sua relação com a Câmara de vereadores? O trabalho será elaborado em conjunto?

Sempre mantivemos uma excelente relação com a Câmara Municipal e esta harmonia e independência deverão ser mantidas durante os próximos quatro anos. Tenho certeza que, em parceria com a Câmara Municipal, vamos poder administrar Palmas de forma planejada, consciente e com foco no cidadão.

Para o senhor o que significa qualidade de vida? Dentro de seu conceito, o que falta para melhorar a qualidade de vida da população e o que fazer para atingir isso?

Uma cidade que oferece qualidade de vida deve possibilitar o acesso ao emprego, educação de qualidade, saúde, moradia digna e lazer, que são fatores primordiais para o desenvolvimento familiar. Com esta finalidade estamos trabalhando em várias frentes sociais, garantindo os direitos básicos para a população, melhorando cada vez mais a qualidade da educação, o atendimento na saúde, investindo mais em espaços de lazer e sempre ampliando a geração de emprego e renda.

O senhor tem mais quatro anos pela frente. São oito anos no poder de Palmas. Como o senhor pretende deixar a cidade?

Muito diferente do que encontrei. Estamos trabalhando para garantir habitação e educação de qualidade, lazer e saúde, criando investimentos para a capacitação de mão de obra e mais postos de serviço. No que se refere às características geográficas da cidade, iniciamos a correção das distorções no plano diretor, que limita a área de expansão urbana e se destina à ocupação dos espaços vazios da cidade, para reduzir os custos dos serviços públicos, ao mesmo tempo em que melhora a qualidade de vida da população.

Existe uma especulação nos bastidores da política de que o senhor poderia ser o candidato do PT para o Governo Estadual, o seu nome realmente já foi citado pelo partido? Há algum outro nome cotado? Esses rumores podem dificultar sua gestão? O senhor sairia da prefeitura para disputar o governo em 2010?

Eu fui eleito para governar Palmas pelos próximos quatro anos e este é o meu compromisso com o povo de Palmas, que me confiou esta grandiosa missão. O meu compromisso é trabalhar para a realização de uma excelente administração. Isto é o que Palmas espera de mim e será desta forma que iremos trabalhar e corresponder às expectativas de nosso povo.

Fonte: Especial para Terra
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