Tarcísio diz que visita a Bolsonaro é gesto de solidariedade, não de articulação política
Governador afirma que encontro na Papudinha será pessoal e descarta conversa sobre candidatura à Presidência
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), negou que a visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), marcada para esta quinta-feira, 22, tenha como pauta uma eventual candidatura ao Palácio do Planalto.
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Segundo Tarcísio, a conversa não terá pauta política nem tratará de cenários eleitorais para 2026.
"Vou sobretudo visitar um grande amigo, uma pessoa por quem tenho muita consideração. Vou manifestar a minha solidariedade e o meu apoio, ver se ele está precisando de alguma coisa e reforçar que ele sempre poderá contar comigo", afirmou Tarcísio, após participar de uma solenidade do governo estadual para a entrega de unidades habitacionais em São José da Bela Vista, no interior paulista.
O encontro entre o governador e Bolsonaro está previsto para ocorrer entre 8h e 10h na Papudinha, em Brasília. O pedido de autorização foi protocolado na segunda-feira, 19, pela defesa de Bolsonaro.
Como mostrou o Estadão, a transferência de Bolsonaro para a Papuda foi articulada pelo governador e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
O movimento de bastidor ocorre em meio a uma sequência de atritos no bolsonarismo, direcionados tanto a Michelle quanto a Tarcísio. Na semana passada, a primeira-dama de São Paulo, Cristiane Freitas, foi alvo de críticas ao demonstrar apoio a uma eventual pré-candidatura presidencial do marido.
"Nosso País precisa de um novo CEO, meu marido!", escreveu Cristiane em um vídeo publicado por Tarcísio nas redes sociais, no qual o governador fala em tom de presidenciável e apresenta propostas para o Brasil.
A manifestação foi mal recebida por parte do bolsonarismo num momento em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicado como sucessor do pai, começa a ganhar tração nas pesquisas eleitorais.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) ironizou o episódio ao publicar uma foto do ex-governador João Doria segurando um cartaz com a palavra "CEO". Doria é visto por bolsonaristas como traidor por ter se eleito com apoio de Bolsonaro e, posteriormente, rompido com o ex-presidente.
Dias depois, Tarcísio afirmou que a publicação não tinha relação com o cenário eleitoral. "A mensagem é um desabafo contra o PT", disse. "A gente está dizendo ali que o Brasil precisa de um gestor, alguém que pense o País e tenha liderança para enfrentar os grandes desafios e resolver os problemas."
A mensagem de Cristiane foi publicada na terça-feira, 13, horas depois de Michelle republicar o mesmo vídeo de Tarcísio, gesto interpretado por aliados e desafetos como um aceno da ex-primeira-dama ao governador, à revelia do enteado.
O último encontro entre Tarcísio e Bolsonaro ocorreu em setembro, quando o ex-presidente ainda cumpria prisão domiciliar.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por condenação no inquérito da trama golpista.