'O Brasil está disposto a dialogar sobre tarifas, mas defendendo sua soberania', diz líder do governo
Jaques Wagner e outros sete senadores estarão em Washington D.C. entre os dias 28 e 30 de julho
Brasil busca negociar tarifas impostas pelos EUA, preservando sua soberania. Comitiva de senadores liderada por Jaques Wagner viajará a Washington entre 28 e 30 de julho para diálogos com o legislativo americano.
Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado e escalado pelo presidente Lula para ir aos Estados Unidos em uma comitiva para tentar negociar a tarifa de 50% imposta sobre os produtos brasileiros pelo governo americano, disse que o Brasil está disposto a dialogar com Trump, mas sem abrir mão de sua soberania.
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"O Brasil está disposto a dialogar com os Estados Unidos, mas defendendo a sua soberania. É uma missão. A nossa expectativa é de ter sucesso nessa negociação porque não nos interessa uma briga, afinal, são 206 anos de relações diplomáticas estabelecidas entre os dois países", disse o senador.
Composta por oito senadores, a comitiva não irá tratar diretamente das negociações com a Casa Branca, mas deverá se reunir com integrantes do legislativo norte-americano em Washington D.C. entre os dias 28 e 30 de julho. As tarifas impostas por Trump começam a valer a partir de 1º de agosto.
Além de Wagner, fazem parte da comitiva Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), Tereza Cristina (PP-MS), Fernando Farias (MDB-AL), Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), Esperidião Amin (PP-SC), Rogério Carvalho (PT-SE) e Carlos Viana (Podemos-MG).
O grupo vai representar institucionalmente o Congresso brasileiro junto ao Congresso americano. Antes da viagem, os senadores se reuniram, remotamente, nesta quarta-feira, 23, com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com representantes do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio (Mdic) para definir os detalhes da missão.
A tentativa dos congressistas de abrir um diálogo com o governo americano ocorre em meio à dificuldade do governo brasileiro de encontrar uma solução para as tarifas. As tratativas entre os dois países começaram depois que Trump taxou em 10% os produtos brasileiros, e em 25% o aço e alumínio vendidos pelo Brasil ao mercado norte-americano, em abril. Desde então, o Brasil tenta contato com os EUA, sem receber resposta.
O fator Bolsonaro
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos EUA desde março e é apontado pelo governo como causador das tarigas, afirmou que a missão de senadores enviada ao EUA para tentar negociar a taxação está "fadada ao fracasso" e que uma anistia "ampla, geral e irrestrita" seria a solução para retirar o tarifaço. A declaração foi feita na terça-feira, 22, por meio do X (antigo Twitter) do congressista.
"Trata-se de um gesto de desrespeito à clareza da carta do Presidente Donald Trump, que foi explícito ao apontar os caminhos que o Brasil deve percorrer", afirma o parlamentar. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem pressionado o Congresso Nacional para conceder perdão aos condenados do 8 de janeiro — inclusive seu pai — para que a taxação seja removida.