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Autor de texto compartilhado por Bolsonaro já foi candidato

Paulo Portinho diz que mensagem é análise crítica a 'pessoas que têm influência sobre o orçamento público'

17 mai 2019
20h22
atualizado às 21h17
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O analista da Comissão de Valores Mobiliários Paulo Portinho assumiu a autoria do texto divulgado nesta sexta, 15, pelo presidente Jair Bolsonaro, no qual destaca pressões de várias "corporações" do Poder. Segundo ele, a mensagem não era uma crítica nem ao governo nem ao Congresso, mas sim a pessoas com "influência no orçamento público".

"Não foi crítica ao governo nem ao Congresso. A única coisa que quis dizer no texto é o que está acontecendo no Brasil, mas não só agora. A impressão que temos é de que as pautas que vão para a eleição só são implementadas se interessam às corporações", afirma Portinho. "Quando falo corporação, não estou generalizando, mas sim falando de pessoas que têm muita influência sobre o orçamento público", afirmou o analista, que foi candidato a vereador em 2016 pelo Novo.

Bolsonaro em Dallas, nos EUA, onde recebeu um prêmio de personalidade do ano.
Bolsonaro em Dallas, nos EUA, onde recebeu um prêmio de personalidade do ano.
Foto: Marcos Correa/Presidência da República - 16/5/2019 / Estadão Conteúdo

Publicado por Portinho em seu perfil pessoal no Facebook na manhã do último sábado, 11, o texto repercutiu nas redes sociais após Bolsonaro distribuir a mensagem a diversos grupos pelo WhatsApp nesta sexta. Ao compartilhar o texto, o presidente escreveu: "Um texto no mínimo interessante. Para quem se preocupa em se antecipar aos fatos sua leitura é obrigatória. Em Juiz de Fora (06/set/2018), tive um sentimento e avisei meus seguranças: Essa é a última vez que me exporei junto ao povo. O Sistema vai me matar. Com o texto abaixo cada um de vocês pode tirar suas próprias conclusões."

Apesar da publicação ter chegado ao Planalto, Portinho afirma não ter vínculos nem conhecer ninguém ligado a Bolsonaro. Defensor de uma pauta liberal na economia, o analista disse ter escrito a análise para comentar sua visão sobre acontecimentos envolvendo a política brasileira, incluindo também os governos FHC, Lula e Dilma.

"A gente vota em uma pauta liberal, mas a impressão que ficamos é que nada do que se fala nas campanhas pode sair. Quando você vê a história do Brasil, a história que se tem é que o que se discute na eleição não é exatamente o que dá pra governar", disse Portinho. "E com um governo que tem tantas dificuldades de relacionamento como o governo Bolsonaro, isso fica mais evidente, os atritos são maiores."

"A única coisa que espero, um objetivo pessoal, é que os três Poderes atinjam o nível máximo de racionalidade que eles possam ter. Se não sair a pauta do Bolsonaro, que saia a pauta do Congresso, mas que seja uma pauta que leve o Brasil adiante", afirmou.

Autor de texto foi candidato a vereador pelo Novo

Formando em Engenharia e mestre em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ), Portinho foi candidato a vereador em 2016 pelo Partido Novo, ao qual se filiou em 23 de dezembro de 2012, segundo base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O analista continua filiado ao partido, mas afirma não participar das discussões políticas da sigla.

No pleito daquele ano, Portinho declarou R$ 883,9 mil em bens e teve a candidatura deferida pela Justiça Eleitoral. Durante a campanha, recebeu duas doações de R$ 500 do diretório municipal do Novo para serviços de consultoria em advocacia e contabilidade. Ao todo, recebeu 602 votos.

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Estadão

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