Moraes rebate críticas e diz que prisão de Bolsonaro não é 'colônia de férias'
Ministro do STF afirma que aliados de Bolsonaro ignoram as condições privilegiadas da custódia, como cela privativa, TV e ar-condicionado
Ao autorizar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que são infundadas as alegações de apoiadores de que o ex-presidente estaria submetido a condições desumanas ou em situação de "cativeiro".
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Segundo Moraes, há uma estratégia organizada para deslegitimar decisões judiciais por meio da disseminação de notícias falsas sobre as condições da prisão, "ignorando que as condições absolutamente excepcionais e privilegiadas do cumprimento de pena privativa de liberdade em regime fechado de Jair Messias Bolsonaro, na Sala de Estado Maior da Superintendência da Polícia Federal/DF, com sala exclusiva e com o dobro do tamanho previsto pela LEP, banheiro exclusivo, frigobar, televisão, ar-condicionado e procedimento de entrega de comida caseira todos os dias, não existem para os demais 384.586 (trezentos e oitenta e quatro mil, quinhentos e oitenta e seis) presos em regime fechado no Brasil".
Na decisão, o ministro reforça que, apesar das condições diferenciadas, o cumprimento da pena não pode ser tratado como "estadia hoteleira" ou em uma "colônia de férias", como as manifestações parecem exigir.
Segundo ele, há críticas ao tamanho das dependências, ao banho de sol, ao barulho do ar-condicionado, ao horário de visitas, além de desconfiança sobre a origem da comida fornecida e até pedidos para troca da televisão por uma smart TV, "para, inclusive, 'ter acesso ao YouTube'".
Entre os exemplos mencionados na decisão, o ministro destacou declarações do senador Flávio Bolsonaro, que criticou as acomodações como "cativeiro" em entrevista em dezembro de 2025.
Bolsonaro transferido
A transferência para a Papudinha, segundo a decisão, se dá devido à necessidade de melhor atendimento médico. Bolsonaro foi levado à unidade para que suas demandas de saúde sejam acompanhadas de forma mais adequada, após ser submetido, no último mês, a uma série de procedimentos para tratar crises de soluços.
"A transferência possibilitará o início imediato da intervenção fisioterapêutica requerida pela Defesa que, segundo seus médicos, precisa ser realizada no início da noite, o que não é possível na Superintendência da Polícia Federal, em virtude das condições administrativas e de segurança, mas será plenamente viável no novo local do custodiado".

