Moraes autoriza visitas de aliados de Bolsonaro na Papudinha
Ministro do STF libera entrada dos parlamentares Rogério Marinho, Bia Kicis e Marco Feliciano no presídio onde o ex-presidente cumpre pena por tentativa de golpe
BRASÍLIA — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a receber visitas de aliados políticos ao longo do mês de março na Papudinha, em Brasília, onde ele cumpre pena após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Entre os visitantes autorizados estão a deputada Bia Kicis (PL-DF), no dia 14 de março; o deputado e pastor Marco Feliciano (PL-SP), em 21 de março; e o senador Rogério Marinho (PL-RN), em 25 de março.
No dia 11 de março, Bolsonaro receberá o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro, Anderson Luis de Moraes. Em 18 de março, está prevista a visita de José Vicente Santini, assessor especial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também visitou Bolsonaro no fim de janeiro. Ele também foi ex-assessor da Presidência durante o governo Bolsonaro.
Bolsonaro foi preso preventivamente em 22 de novembro do ano passado. Ele foi levado à Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde começou a cumprir a pena três dias depois, após o STF declarar o trânsito em julgado da ação penal relacionada à trama golpista.
O ex-presidente foi condenado em 11 de setembro do ano passado a 27 anos e 3 meses de prisão por comandar uma tentativa de golpe. Ele foi considerado culpado pelos crimes de organização criminosa, golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Em janeiro, Bolsonaro foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, conhecido como Papudinha, que fica no Complexo da Papuda. Como mostrou o Estadão, a mudança ocorreu após articulação liderada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelo governador Tarcísio de Freitas.
Prisão domiciliar
Tarcísio de Freitas admitiu na última quinta-feira, 12, que atuou em favor da concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente durante reuniões com ministros do STF na semana anterior.
Enquanto aliados articulam a mudança do regime de cumprimento de pena, o pleito também vem sendo formalmente apresentado pela defesa. Ainda assim, parecer médico elaborado por peritos da Polícia Federal concluiu que o estado de saúde de Bolsonaro exige acompanhamento contínuo, mas não impede sua permanência no presídio. A avaliação clínica foi realizada em 20 de janeiro.