Mesmo com mais álcool na gasolina, preço segue alto na Região Metropolitana do Recife
Desde o dia 1º de agosto, passou a valer a nova mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que foi aumentada de 27% para 30%.
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou no dia 25 de junho o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 27% para 30% - a chamada E30. A decisão, que começou a valer a partir de 1º de agosto, também elevou a mistura de biodiesel no diesel de 14% para 15% (B15).
A expectativa do governo federal era que a medida ajudasse a reduzir o preço dos combustíveis e fortalecesse a produção nacional, garantindo maior autossuficiência energética.
Na prática, porém, o impacto não chegou ao bolso do consumidor na Região Metropolitana do Recife. Mesmo após a adoção da nova regra, os valores nos postos seguem acima de R$ 6 por litro, variando entre R$ 6,40 e R$ 6,70 nesta semana.
A única forma de conseguir algum desconto continua sendo por meio dos programas de fidelidade oferecidos por redes de combustíveis, ação que já não parte do governo.
Especialistas apontam que, embora o aumento da proporção de etanol teoricamente contribua para baratear a mistura da gasolina, outros fatores, como logística, carga tributária e margem de lucro dos postos, mantêm os preços elevados. Assim, motoristas da região continuam sem sentir no bolso a prometida redução.
Gasolina cara no Recife
Na Região Metropolitana do Recife (RMR), os preços dos combustíveis continuam em patamares elevados, chamando atenção de consumidores. A gasolina comum tem sido encontrada com frequência acima de R$ 6,50 o litro, enquanto a gasolina Podium da Petrobras, versão premium com maior octanagem e indicada para veículos de alta performance, está sendo vendida por até R$ 8,00 o litro em alguns postos.
Embora a diferença de preços entre os tipos de combustível seja esperada, considerando as especificações técnicas da gasolina Podium — que oferece maior desempenho, menor emissão de poluentes e melhor proteção do motor —, o que tem despertado curiosidade é o fato de alguns postos estarem praticando os mesmos valores para todos os combustíveis disponíveis, inclusive gasolina comum, aditivada, Podium e até o etanol.
Essa uniformidade de preços, embora não indique automaticamente qualquer irregularidade, levanta questionamentos sobre a dinâmica de concorrência no setor. Em debates públicos e entre especialistas, costuma-se citar a possibilidade de formação de cartel — quando há indícios de que concorrentes estejam ajustando seus preços de maneira semelhante, reduzindo a concorrência natural do mercado. A prática, se confirmada, é considerada ilegal pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).
Até o momento, não há investigações formais sobre o mercado de combustíveis na Grande Recife, mas a situação chama atenção de entidades de defesa do consumidor, que reforçam a importância da fiscalização e da transparência na formação de preços.
Os custos operacionais mais altos em áreas urbanas, como aluguel de terrenos, segurança privada, folha de pagamento e tributos municipais, também são fatores que influenciam os preços mais elevados na capital em comparação a outras regiões. Além disso, o acesso a descontos via aplicativos e programas de fidelidade pode fazer diferença no preço final pago pelos clientes — o que nem sempre está claro nas placas de preços expostas nos postos.
Diante desse cenário, a recomendação aos consumidores é que continuem comparando preços entre os estabelecimentos, observando a qualidade e procedência do combustível, além de verificarem as condições de pagamento e benefícios disponíveis. Em tempos de orçamento apertado, essas escolhas têm impacto direto no dia a dia.