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Lula critica reclamação de Moro sobre interferência na PF

Petista defende direito do presidente Jair Bolsonaro de indicar nome do diretor-geral da instituição

15 set 2020
17h49
atualizado às 17h56
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o direito do presidente Jair Bolsonaro indicar o diretor-geral da Polícia Federal e chamou de "pirotecnia" as reclamações do ex-ministro Sérgio Moro de suposta intervenção indevida de Bolsonaro na instituição.

"Ele (Moro) é tão medíocre que quando ele sai (do governo) tenta criar mais uma pirotecnia. 'Ai, vou sair porque o Bolsonaro quer indicar o diretor da Polícia Federal'. É importante lembrar que o presidente da República tem o direito de indicar o diretor-geral da PF, sim", disse o ex-presidente em entrevista ao Diário do Centro do Mundo.

Lula chama de 'pirotecnia' reclamação de Moro sobre suposta interferência na PF
Lula chama de 'pirotecnia' reclamação de Moro sobre suposta interferência na PF
Foto: EPA / Ansa

Moro deixou o governo por discordar das tentativas de Bolsonaro de trocar o chefe da PF em meio a investigações contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho mais velho do presidente, por participar de um suposto esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

As denúncias de Moro levaram à instauração de um inquérito para apurar a suposta interferência do presidente na corporação que levou à intimação para Bolsonaro depor presencialmente no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Lula, Moro usou sua saída do governo para criar um fato político e ganhar da opinião pública. "Por que achar que o Moro podia e ele (Bolsonaro) não podia? Ele tenta ganhar a opinião pública tentando mentir outra vez", disse o petista.

Em mais de uma hora e meia de entrevista, na qual sempre se referia a si mesmo na terceira pessoa como "o Lula", o ex-presidente criticou Bolsonaro, mas seu alvo principal foram Moro e a Lava Jato que, na véspera, apresentou mais uma denúncia contra o petista (a quarta) por uso do Instituto Lula para receber propinas da Odebrecht.

O ex-presidente classificou como "mentira" a nova denúncia argumentando que nunca exerceu cargo de direção no Instituto. "É como se tivesse alguma coisa no Colégio D. Pedro II e fossem para cima do D. Pedro II. Dei apenas meu nome para o Instituto", disse Lula.

O ex-presidente também criticou a postura do novo coordenador da força-tarefa de Curitiba, o procurador Alessandro Oliveira, que substituiu Deltan Dallagnol. "É a mesma coisa que o Dallagnol", disse o ex-presidente.

Poucos dias depois de ter dito que está "à disposição" do povo brasileiro para enfrentar o bolsonarismo, fala que foi interpretada como sinal de disposição para disputar a presidência em 2022, caso consiga reaver seus direitos políticos, Lula voltou a dar sinais contraditórios e disse que "não preciso de eleição para estar vivo". Segundo ele, o corporativismo do Judiciário deve preservar Moro. Até o final de outubro o STF deve julgar o pedido de suspeição do ex-juiz feito pela defesa do petista.

Indagado sobre o papel de Bolsonaro nos incêndios que há dias consomem o Pantanal, Lula poupou o presidente de responsabilidade na tragédia mas criticou a falta de ações do governo para controlar o fogo.

"Eu seria irresponsável se dissesse que a natureza não tem nada a ver com isso. Não estou culpando o presidente Bolsonaro mas estou culpando a irresponsabilidade dele de evitar que isso se torne tão grave", disse o ex-presidente.

 

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