Itamaraty revoga visto do assessor do Trump que pediu para visitar Bolsonaro na prisão
Presidente Lula afirmou que Darren Beattie só entrará no país quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, puder entrar nos EUA
O governo brasileiro revogou a concessão de visto de Darren Beattie, assessor do presidente norte-americano, Donald Trump, para temas relacionados ao Brasil, que pretendia vir ao país na próxima semana para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso na Papudinha, em Brasília.
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A decisão por retirar o visto é do Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty. Mais cedo, durante um discurso no evento de inauguração de uma ala hospitalar no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que Beattie só entrará no país quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, puder entrar nos Estados Unidos.
"Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibí de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado", afirmou Lula.
Beattie tinha agendada uma visita ao Brasil com a intenção de visitar Bolsonaro na prisão, mas o pedido para se reunir com o ex-mandatário foi rejeitado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira, 12. Antes, o ministro havia concedido autorização para a visita de Darren Beattie a Bolsonaro.
Na decisão que revogou, o ministro concluiu que "a realização da visita de Darren Beattie, requerida nestes autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras".
A reviravolta ocorreu após o Itamaraty informar a Moraes que o visto de Beattie foi concedido exclusivamente para participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, evento marcado para 18 de março em São Paulo, e que a visita ao ex-presidente nunca constou dos objetivos comunicados pelo governo norte-americano.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses no regime fechado, na Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
A defesa de Bolsonaro havia solicitado a visita em 10 de março e pediu que ela ocorresse "no dia 16 de março, no período da tarde, ou no dia 17 de março, no período da manhã ou início da tarde", fora do calendário regular de visitação do presídio.