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Política

Lula chama orçamento secreto de 'sequestro' e critica volume de emendas: 'Não é normal'

Em ato pelos 46 anos do PT, Lula diz ser 'grave' apoio do partido a emendas de mais de R$ 60 bilhões

7 fev 2026 - 12h43
(atualizado às 13h36)
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse neste sábado, 7, que o orçamento secreto representou um "sequestro" do orçamento do Executivo. Em evento do PT em Salvador, Lula afirmou ainda que "não é normal" que o Congresso aprove mais de R$ 60 bilhões em emendas parlamentares e que é "grave" que o PT tenha votado a favor

"A verdade é que o orçamento secreto foi o sequestro do orçamento do Executivo para que os deputados e senadores tivessem liberdade de utilizar a mesma quantidade de dinheiro que sobra para o governo federal", disse Lula. "Esse ano é quase R$ 60 bilhões. Se vocês acham que isso é normal, tudo bem. Para mim não é normal. E o que eu acho grave é que o PT votou favorável e ninguém reclama."

Lula participou neste sábado de um ato político em comemoração aos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), em Salvador (BA). Outras autoridades também marcaram presença, entre elas, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), alvo de brincadeiras por usar uma meia vermelha; o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT); o presidente nacional do PT, Edinho Silva; e o governador da Bahia e pré-candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT).

Ao longo de seu discurso, Lula sinalizou a intenção de atrair mais partidos para a base. "Essa campanha agora, se preparem, porque vocês, os nossos aliados, PSB, PCdoB, PDT e quem mais a gente conseguir trazer, sabe, quem mais a gente conseguir trazer", disse Lula, que em seguida abraçou o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), cujo vice, Themístocles Filho, é do MDB, um dos partidos que o presidente deseja atrair para o palanque.

Em outro momento, o presidente defendeu mais diretamente a necessidade de construir alianças e admitiu que o partido enfrenta dificuldades em alguns estados. Como mostrou o Estadão, o PT tem enfrentado dificuldade em parte do Nordeste, considerado historicamente um "bastião da esquerda", e vê a oposição avançar em Estados-chave como Bahia, Maranhão e Ceará.

"Vocês sabem que nós temos que trabalhar, fazer alianças para ganhar as eleições, nós não estamos com essa bola toda em todos os estados. Temos estados em que nós precisamos compor", reconheceu o petista. Em seguida, se dirigindo a Edinho Silva, dirigente nacional, disse que não é preciso negar os princípios do PT para se aliar a outras legendas. "Um acordo político é uma coisa tática para a gente poder governar esse País como estamos fazendo agora."

Lula fez um discurso duro à militância e às lideranças do partido ao tratar da eleição. Disse que não tem mais o "Lulinha paz e amor" e que a disputa eleitoral deste ano será uma "guerra". O petista afirmou ainda que não quer ser lembrado apenas como o presidente do Bolsa Família ou do Gás do Povo. "Precisamos pensar um outro projeto para esse país", provocou Lula, que em outro momento do evento sinalizou a possibilidade de ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda. "Não pensem que eu estou contente com o desconto só até R$ 5 mil. Eu sempre trabalhei na minha cabeça que salário não é renda. Salário é salário."

Além de criticar o orçamento secreto e as emendas parlamentares, Lula também atacou a classe política, afirmando que a "política apodreceu" e está muito "mercantilizada".

"A política apodreceu. Vocês que são candidatos sabem como está o mercado eleitoral nesse País, você sabe quanto custa um cabo eleitoral, um vereador, o preço de cada candidatura nesse País", declarou o presidente, acrescentando ter saudade do tempo em que fazia comício.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o presidente Lula (PT) e a primeira-dama Janja participam de evento em comemoração aos 46 anos do PT
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o presidente Lula (PT) e a primeira-dama Janja participam de evento em comemoração aos 46 anos do PT
Foto: Reprodução @ptbrasil via Youtube / Estadão

Apesar de ter feito elogios ao PT, Lula disse que o partido tem os seus "desvios" e está "acumulando muito erro" e acrescentou que os dirigentes têm a obrigação de não deixar que partido vá para a vala comum da política.

Ao longo de sua fala, Lula também fez críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou a parceria do Brasil com a China e voltou a defender que a Venezuela deve ter soberania para decidir sobre o próprio futuro.

"Nós temos que dizer em alto e bom som que o problema da Venezuela tem que ser resolvido pelo povo da Venezuela, e não pelos Estados Unidos ou pelo Trump. E agora, embaixador, toda conversa, toda reunião é para evitar que os países vendam terras raras e minerais críticos para a China. É uma briga meio escondida, mas tudo é para a China, contra a China. E eu quero dizer que sou muito grato à parceria que o Brasil tem com a China. É uma parceria exitosa e respeitosa", afirmou Lula, que pouco antes disse que o Brasil é "solidário ao povo cubano, que é vítima de um massacre de especulação dos Estados Unidos contra eles".

Presidente do PT defende aliança com outros partidos nos estados

Assim como Lula, o presidente do PT, Edinho Silva, defendeu que o partido deve ter como prioridade máxima a reeleição de Lula e que, embora as eleições para os governos estaduais sejam importantes, é preciso fazer alianças com outros partidos do chamado campo democrático para garantir palanques fortes ao presidente nos Estados.

"Nós não podemos ter dúvidas do que é central: nada mais importante do que a reeleição do presidente Lula. Nós sabemos da importância de ganharmos as eleições nos governos dos Estados que nós governamos. Também queremos ampliar a nossa capacidade de governar outros Estados. Isso também é importante. Mas fazer alianças para que a gente faça com que o campo democrático seja vitorioso também é central", afirmou o dirigente nacional do PT.

Edinho estendeu o raciocínio para a disputa ao Senado, defendendo a formação de alianças para a eleição de senadoras e senadores alinhados ao partido.

Estadão
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