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Julgamento do Mensalão

STF pode decidir sobre prisões no mensalão ainda neste mês

8 out 2013 - 11h43
(atualizado às 11h55)
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, afirmou nesta terça-feira que a Corte deve julgar ainda em outubro os segundos embargos de declaração dos réus no processo do mensalão. O julgamento desses recursos deve definir o início do cumprimento das penas de 13 condenados. 

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Em outros processos, ao fim da análise desse recurso, o tribunal decretou o trânsito em julgado, ou seja, o fim do processo, e a prisão imediata do réu. Foi o que aconteceu no caso do deputado Natan Donadon (sem partido-RO) e pode se repetir com condenados do mensalão que entrem com o recurso e não tenham direito aos embargos infringentes.

Segundo Barbosa, o acórdão dos primeiros embargos de declaração ficou pronto apenas na última segunda-feira e só não foi publicado ainda porque está passando por um processo de revisão. Esse documento que abre prazo para os segundos recursos. A expectativa é de que o resumo do julgamento saia amanhã ou, no máximo, até o fim da semana. 

O presidente do STF e relator do mensalão explicou que o acórdão dos primeiros recursos não saiu nesta terça porque sete documentos que compõem o documento tiveram que ser corrigidos. “Deu um probleminha em sete documentos. Eu espero que saia hoje, fique pronto. O problema foi resolvido ontem e estão conferindo um a um, problema de data, coisinha boba”, afirmou Barbosa, justificando o atraso na publicação do acórdão.

A partir da publicação do acórdão, as defesas dos réus terão cinco dias para apresentar os segundos embargos. No caso dos 12 condenados que ainda tem direito aos embargos infringentes, o prazo para a entrada desses recursos é de 30 dias. Os infringentes são recursos específicos para o crime no qual o condenado tenha obtido ao menos quatro votos favoráveis. Serão rediscutidas condenações por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, além de penas de prisão e multa quando houve decisão por margem apertada. Isso pode levar a absolvição nos dois crimes e redução de penas e multas.

O mensalão do PT

Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR(ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson. Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e o irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas. A ação penal começou a ser julgada em 2 de agosto de 2012. A primeira decisão tomada pelos ministros foi anular o processo contra o ex-empresário argentino Carlos Alberto Quaglia, acusado de utilizar a corretora Natimar para lavar dinheiro do mensalão.

Durante três anos, o Supremo notificou os advogados errados de Quaglia e, por isso, o defensor público que representou o réu pediu a nulidade por cerceamento de defesa. Agora, ele vai responder na Justiça Federal de Santa Catarina, Estado onde mora. Assim, restaram 37 réus no processo.

No dia 17 de dezembro de 2012, após mais de quatro meses de trabalho, os ministros do STF encerraram o julgamento do mensalão. Dos 37 réus, 25 foram condenados, entre eles Marcos Valério (40 anos e 2 meses), José Dirceu (10 anos e 10 meses), José Genoino (6 anos e 11 meses) e Delúbio Soares (8 anos e 11 meses). A Suprema Corte ainda precisa publicar o acórdão do processo e julgar os recursos que devem ser impetrados pelas defesas dos réus. Só depois de transitado em julgado os condenados devem ser presos.

Fonte: Terra
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