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Política

Início de uma diplomacia presidencial entre Brasil e EUA? Veja os recados de Lula e Trump em discursos na ONU

Falas de presidentes na Assembleia Geral da ONU evidenciam pontos de divergência, mas também possibilidade de diálogo, analisa especialista

23 set 2025 - 14h02
(atualizado às 16h30)
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Resumo
Lula criticou a política externa dos EUA em discurso na ONU, enquanto Trump adotou tom mais ameno sobre o Brasil, demonstrando limites no apoio à extrema direita brasileira, analisa especialista.
Os presidentes Lula e Donald Trump durante seus discursos no Debate Geral da Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU em Nova York, em 23 de setembro de 2025
Os presidentes Lula e Donald Trump durante seus discursos no Debate Geral da Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU em Nova York, em 23 de setembro de 2025
Foto: ANGELA WEISS/Getty Images

Os discursos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, 23, traçaram rotas opostas, mas, em análise, a professora Clarissa Forner, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), identifica um ponto de convergência: a delimitação dos limites da política externa dos EUA em relação ao Brasil.

Em um contexto internacional em que líderes mantêm cautela frente ao governo americano, o presidente Lula adotou postura contrária ao usar a tribuna da ONU para dirigir duras críticas à Casa Branca. Sem mencionar diretamente Trump, o mandatário brasileiro condenou os ataques ao multilateralismo, as políticas anti-imigratórias e a aplicação arbitrária de sanções econômicas.

Em sua fala, Lula também questionou o não reconhecimento do Estado Palestino, aproveitou para defender a soberania nacional e a legitimidade do processo judicial que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe Estado.

Em recado a Trump, Lula critica ‘atentados a soberania’ e fala em ‘agressão ao Judiciário’:

Lula fez referência às "medidas unilaterais" impostas ao Brasil – em alusão às tarifas comerciais e cancelamento de vistos de autoridades –, declarando sob aplausos: "Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis".

A defesa da regulação do ambiente digital representou outro ponto de divergência com Trump. Lula argumentou que "ataques à regulação servem para encobrir interesses escusos e dar guarida a crimes e investidas contra a democracia".

Ao finalizar, criticou a equiparação entre criminalidade e terrorismo – potencial justificativa para intervenções na América Latina –, enfatizou a necessidade de ouvir o Sul Global e reafirmou o valor de organismos multilaterais como os BRICS, frequentemente alvo de ataques por parte da administração americana.

Para Forner, o discurso de Lula foi "bastante assertivo" e trouxe pontos esperados, como a crítica ao que citou de "genocídio em Gaza" e a defesa da soberania nacional. "Acho que esse também foi outro ponto que foi muito forte na fala do presidente, de correlacionar esses movimentos de tentativa de interferência com o funcionamento transnacional da extrema direita", analisa.

Ela destaca que a abordagem de Lula foi interessante por situar a pressão sobre o Brasil não como um caso isolado, mas dentro de "uma dinâmica mais ampla". Já o discurso de Trump, segundo ela, seguiu o padrão esperado de um tom de "campanha eleitoral", focado na base de apoio norte-americana, com a América Latina aparecendo de forma secundária, principalmente no tema migratório.

"Então é como se ele tivesse em um primeiro momento desse discurso prestando contas de alguma forma. Então não surpreende que América Latina não tenha aparecido necessariamente, como uma pauta prioritária, a não ser quando vinculada a essas questões que são questões domésticas para os Estados Unidos, como a questão migratória, a questão da da violência e a segurança pública", explica. 

Tom "ameno" de Trump

Trump diz que abraçou Lula e fala em 'boa química' ao anunciar encontro na próxima semana:

A principal surpresa, ressalta a professora, foi o tom adotado por Trump ao mencionar o Brasil. A menção a um abraço, uma "boa química" com Lula e a disposição para se reunir na semana que vem foram vistas como significativas.

"Eu acho que anuncia muito os limites de até onde os Estados Unidos estariam dispostos a interferir mais diretamente nesse processo político doméstico, em nome de salvaguardar um determinado grupo de indivíduos", afirma a especialista. Ela acredita que a postura "mais amena" e "conciliadora" de Trump deixa claro que a expectativa de um apoio internacional robusto da extrema direita brasileira é mais uma "construção dentro do imaginário" do que uma realidade política.

"Não havia uma expectativa de uma grande menção ao Brasil, mas o fato de o tom ter sido tão ameno é bastante interessante. Acredito que isso anuncia os limites do discurso intervencionista que Trump vem adotando, no sentido de afirmar que existe uma 'caça às bruxas' contra determinados grupos no Brasil", destaca. 

A análise é que a disposição ao diálogo demonstra como as relações internacionais operam na prática, por uma "lógica dos interesses pragmáticos", que "foge bastante do apelo mais ideológico" impresso pela extrema direita.

"Deixa bastante claro que isso é muito mais uma construção dentro do imaginário da extrema-direita brasileira do que propriamente um movimento que se concretizaria a partir dos Estados Unidos", pontua a professora.

Forner faz uma ressalva de que as sanções aplicadas a autoridades brasileiras pelo governo Trump já configuram, por si só, uma forma de interferência. No entanto, o tom adotado no discurso sinaliza que não há intenção de escalonar esse apoio a ponto de sustentar politicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores. "Não me parece mesmo que seja o caso", conclui a especialista, reforçando que os limites desse apoio ficaram "bastante evidentes".

Fonte: Portal Terra
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