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Futuro ministro de Bolsonaro acusa PT de "odiar ser humano"

Ernesto Araújo escreveu que partido é ameaça à liberdade

16 nov 2018
17h59
atualizado às 18h07
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O futuro ministro das Relações Exteriores brasileiro, Ernesto Araújo, ao contrário de seus antecessores no Itamaraty, é defensor declarado de posições político-ideológicas, o que sinaliza um rompimento na tradição de neutralidade na condução da política internacional do país.

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

"Sou Ernesto Araújo. Tenho 28 anos de serviço público e sou também escritor. Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista. Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente é um sistema anti-humano e anti-cristão. A fé em Cristo significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus e o homem, tornando o homem escravo e Deus irrelevante. O projeto metapolítico significa, essencialmente, abrir-se para a presença de Deus na política e na história.", escreve Araújo no texto de apresentação de seu blog, o Metapolítica 17.

O diplomata é diretor do departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Itamaraty e é declaradamente um admirador do presidente norte-americano, Donald Trump. "O presidente Donald Trump propõe uma visão do Ocidente não baseada no capitalismo e na democracia liberal, mas na recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações ocidentais", defende.

Ele chama de "climatismo" uma suposta tática globalista para instilar o medo e obter mais poder. "Você aí, você vai destruir o planeta. Sua única opção é me entregar tudo, me entregar a condução de sua vida e do seu pensamento, sua liberdade e seus direitos individuais. Eu direi se você pode andar de carro, se você pode acender a luz, se você pode ter filhos, em quem você pode votar, o que pode ser ensinado nas escolas. Somente assim salvaremos o planeta. Se você vier com questionamentos, com dados diferentes dos dados oficiais que eu controlo, eu te chamarei de 'climate denier' e te jogarei na masmorra intelectual. Valeu?", escreve Araújo.

O futuro ministro usa o blog para atacar a esquerda e o Partido dos Trabalhadores (PT), além de defender explicitamente a campanha de Jair Bolsonaro em alguns posts. Ele acusa o PT de concentrar-se nas questões do aborto, de gênero, da laicidade, da 'racialização' da sociedade, da criminalização do desejo do homem pela mulher, a contestação do patriarcado e a diferenciação entre os sexos, a sexualização das crianças, demonização da defesa da família para defender que pessoas "não nasçam".

Araújo também vê o Brasil como "apenas um bom aluno na escola do globalismo" e atribui a essa postura uma suposta perda da grandiosidade do país. A aplicação dessa ideologia à diplomacia produz a obsessão em seguir os "regimes internacionais". Produz uma política externa em que não há " amor à pátria" mas apenas apego à "ordem internacional baseada em regras".

"Não há nada que o PT odeie tanto quanto a liberdade: liberdade econômica, liberdade de pensamento, liberdade de expressão. Isso porque o PT, fiel ao "belo ideal socialista", odeia o ser humano", segue o blog.

"Como você faz isso? Culpando. Criminalizando tudo o que é bom, espontâneo, natural e puro", defende, citando uma lista de assuntos que supostamente seriam alvo de criminalização, como o patriotismo, filmes da Disney, propriedade privada, fé em Deus, a carne vermelha, ar condicionado, amor aos filhos e justiça.

"A única coisa que o Projeto Totalitário [alusão a PT] não criminaliza é o próprio crime e os próprios criminosos. Ou seja, o PT criminaliza tudo,menos a si mesmo", conclui. "O ideal do PT (já expresso por alguns ecologistas radicais) é que a espécie humana não existisse", acusa Araújo.

O diplomata assume o Ministério das Relações Exteriores em janeiro do ano que vem e vai substituir ao atual titular da pasta, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB).

Ansa - Brasil   
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