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Política

Flávio Dino afirma que ligar PT ao PCC 'não passa de canalhice'

Ministro repudiou o que chamou de 'narrativas falsas nas redes sociais que tentam vincular' declaração dada por Lula com a Operação Sequaz

27 mar 2023 - 17h07
(atualizado às 17h37)
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O ministro da Justiça Flávio Dino
O ministro da Justiça Flávio Dino
Foto: Reprodução/YouTube/Poder360

Em mais um capítulo da queda de braço entre o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Justiça Flávio Dino foi às redes afirmar que 'não passa de canalhice' as tentativas de ligar o Partido dos Trabalhadores (PT) ao Primeiro Comando da Capital (PCC) - facção que planejava sequestrar o ex-juiz da Operação Lava Jato.  

A declaração de Dino foi feita no sábado, 25, após Moro também recorrer ao Twitter para fazer um questionamento. 'Gostaria de entender por que um dos criminosos do PCC, investigado no plano de sequestro e assassinato, utilizava como endereço de e-mail lulalivre1063?', questionou o ex-juiz federal da Lava Jato.

Reiterando declarações dadas desde o dia em que a Operação Sequaz foi aberta, para desarticular a quadrilha que espreitava Moro, Dino declarou: "Não há indício, prova, nada; só canalhice mesmo. Lembro que não há imunidade parlamentar para proteger canalhice. O ministro chegou a retuitar a própria postagem no domingo, 26, reforçando as declarações.

As manifestações de Dino e Moro se dão na esteira da fase ostensiva de investigação sobre uma organização criminosa que pretendia sequestrar o ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro. O ponto central do embate é um email usado em um dos telefones cuja quebra de sigilo deu origem às investigações da Sequaz.

Como mostrou o Estadão, o e-mail 'lulalivre1063@icould.com' constava no cadastro de um dos chips telefônicos grampeados pela Polícia Federal. O nome do proprietário da linha ainda não foi identificado. A investigação não descarta a hipótese de que essas linhas telefônicas estejam registradas em nome de 'laranjas', estratégia utilizada para apagar rastros.

Sérgio Moro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) travam intensa queda de braço desde que, na última quinta-feira, 23, o presidente declarou, ao comentar a ação do PCC contra seu desafeto, que 'é visível que é uma armação do Moro'. No mesmo dia, o ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL) cobrou uma retratação do petista e afirmou, durante uma entrevista à CNN, que 'se acontecer algo, a responsabilidade é de Lula'.

Na data em que a Operação Sequaz foi aberta, Dino repudiou o que chamou de 'narrativas falsas nas redes sociais que tentam vincular' declaração dada por Lula na véspera, sobre Moro. Um dia antes da ofensiva, o presidente relatou que, no período em que esteve preso em Curitiba, dizia a procuradores e delegados que só iria 'ficar bem quando foder com o Moro'.

Na quarta, 22, Dino disse que é 'vil, leviano e descabido fazer qualquer vinculação' da investigação com a declaração de Lula. "É mau-caratismo tentar politizar uma investigação séria", afirmou. Segundo o ministro da Justiça, é 'abjeta a tentativa de vincular dois eventos totalmente distintos' - a declaração do petista e os planos investigados pela PF.

Estadão
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