EUA concedem visto para ministro da Justiça de Lula ir à ONU
Ricardo Lewandowski recebe aviso de que poderá viajar a Nova York na comitiva presidencial
BRASÍLIA - O governo dos Estados Unidos concedeu o visto diplomático para o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, participar da comitiva brasileira que vai à Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na semana que vem.
O ministro foi avisado nesta terça-feira, dia 16, pelo Itamaraty que seu visto foi liberado pelo Departamento de Estado.
A delegação brasileira ainda não se formou por completo. Há pendências em nível político, como atestou na véspera o Ministério das Relações Exteriores. O Itamaraty já protestou perante os americanos e dentro da própria organização. A ONU considerou o caso "preocupante".
Ex-ministro do Supremo, Lewandowski era uma das autoridades com visto pendente para compor a delegação liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Resta pendente ainda um pedido do governo brasileiro para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Ele solicitou o visto diplomático para entrada nas ONU e atividades da Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) em 19 de agosto. Quase um mês depois, segue sem resposta.
"Quanto à questão do visto, não estou nem aí", disse o ministro nesta terça. "Vocês estão mais preocupados com o visto do que eu. Só fica preocupado quem quer ir pra lá fazer lobby de traição da pátria como alguns estão fazendo. Não é meu interesse."
Ele foi convidado por Lula para viajar com a comitiva no domingo, dia 21, à Assembleia Geral da ONU, onde poderá participar de uma reunião de ministros da Saúde, em Nova York, e, em seguida, visitar o conselho da OPAS, em Washington.
O ministro afirmou estar "focado" em obter aprovação do Congresso para a Medida Provisória do programa "Agora Tem Especialistas", que pode ser votada na Câmara nesta semana e, segundo expecativa dele, no Senado na próxima semana.
"Por enquanto, minha dedicação é totalmente a essa pauta", afirmou Padilha. "Já informei ao presidente que minha decisão dependerá da conclusão da votação aqui no Congresso."
Em agosto, a família e assessores de Padilha perderam visto de turismo e negócios. Ele não foi afetado, porque estava com visto pessoal vencido.
A razão alegada pelos EUA foi liderança no programa Mais Médicos, considerado pela administração Trump como uma forma de ajuda à ditadura cubana e de violação a direitos dos profissionais de saúde de Cuba. Padilha era o ministro em 2013, quando o governo Dilma Rousseff lançou o Mais Médicos.
A cassação do visto de familiares dele ocorreu logo depois que Padilha se insurgiu contra a decisão do governo Trump. Ele criticou abertamente a ordem do Departamento de Estado de cancelar os vistos de um secretário do ministério e um ex-assessor governamental e ex-diretor da Opas.
Assessores internacionais e diplomatas brasileiros estimam que o governo Donald Trump deve conceder apenas de última hora o visto a Padilha, o que já afeta a composição da comitiva brasileira e gera transtornos de agenda.