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Política

Diretórios do MDB organizam manifesto contra aliança nacional do partido com Lula

Lideranças defendem que a sigla tome uma posição neutra nas eleições em outubro

3 mar 2026 - 15h47
(atualizado às 16h31)
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Diretórios estaduais do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em 17 Estados organizaram um manifesto contra a aliança nacional do partido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento deve ser entregue no final da tarde desta terça-feira, 3, ao presidente nacional da sigla, o deputado federal Baleia Rossi (SP), com um pedido para que a sigla se mantenha neutra nas eleições em outubro.

Até o momento, o documento conta com 22 assinaturas de membros de 17 diretórios estaduais do MDB. Rio Grande do Sul e Santa Catarina registraram duas assinaturas cada. Além disso, há representação do MDB Mulher, do ex-presidente nacional do partido, José Fogaça, e da presidência da Fundação Ulysses Guimarães (FUG), fundação partidária vinculada ao MDB. Veja a lista:

  • Deputado Estadual Vilmar Zanchin (MDB-RS)
  • Deputado Federal Carlos Chiodini (MDB-SC)
  • Deputado Federal Sérgio Souza (MDB-PR)
  • Rodrigo Arenas (MDB-SP)
  • Washington Reis (MDB-RJ)
  • Vice-Governador Ricardo Ferraço (MDB-ES)
  • Waldemir Moka (MDB-MS)
  • Deputada Estadual Janaina Riva (MDB-MT)
  • Vice-Governador Daniel Vilela (MDB-GO)
  • Romero Jucá (MDB-RR)
  • Wagner Sales (MDB-AC)
  • Senador Alessandro Vieira (MDB-SE)
  • Deputado Federal Alexandre Guimarães (MDB-TO)
  • Deputado Federal Newton Cardoso (MDB-MG)
  • Deputado Federal Acacio Favacho (MDB-AP)
  • Senadora Ivete da Silveira (MDB-SC)
  • Vice-Governador Gabriel Souza (MDB-RS)
  • Ricardo Nunes (MDB-SP)
  • José Fogaça (ex-presidente nacional do MDB)
  • Deputado Federal Alceu Moreira (Presidente da Fundação Ulysses Guimarães - MDB)
  • Katia Lobo (MDB Mulher)
  • Deputado Estadual Wellington Luiz (MDB-DF)

A manifestação ocorre em meio a negociações de bastidores entre o presidente Lula e dirigentes do MDB sobre a possibilidade de indicação de um nome da sigla para a vaga de vice-presidente na chapa à reeleição, em outubro.

Vice-governador de Goiás, Daniel Vilela entrega carta ao presidente do partido, Baleia Rossi, contra aliança nacional com o PT
Vice-governador de Goiás, Daniel Vilela entrega carta ao presidente do partido, Baleia Rossi, contra aliança nacional com o PT
Foto: Divulgação/Daniel Vilela / Estadão

Mesmo tendo nomes próximos ao governo federal, como o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, o MDB reúne grupos com posições diferentes dentro do partido. Lideranças regionais, principalmente de Estados governados pelo centro ou pela direita, preferem que a sigla se distancie da chapa petista.

A inciativa de organizar um manifesto contrário à aliança com Lula partiu do diretor do MDB de Goiás, o vice-governador Daniel Vilela (MDB). Em uma primeira carta enviada a Baleia, ele afirma: "A ampla maioria dos diretórios estaduais do MDB é frontalmente contrária a uma aliança eleitoral com o PT. Naturalmente, a maioria dos convencionais também defende a mesma posição".

No seu texto, Vilela menciona que o partido foi ofendido durante o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula no carnaval deste ano.

"Entendo que é inconcebível que um partido com a história e o tamanho do MDB seja alvo de ataques desarrazoados, taxado como golpista até em desfile de carnaval patrocinado pelo atual governo do PT, sem manifestar sua profunda insatisfação", escreveu o vice-governador.

Na apresentação, a escola fez referência a última aliança entre PT e MDB na Presidência da República, durante os governos da ex-presidente Dilma Rousseff, entre 2011 e 2016. À época, o MDB - então PMDB - integrou a coalizão governista e indicou o vice-presidente Michel Temer, compondo a chapa vencedora nas eleições de 2010 e 2014.

A aliança foi rompida em 2016, quando o MDB desembarcou do governo e passou a apoiar o processo de impeachment de Dilma no Congresso. Desde então, as duas siglas não voltaram a formar uma coalizão nacional nos mesmos moldes, apesar de o atual governo do presidente Lula contar com três emedebistas na Esplanada e manter negociações pontuais com o partido.

Nesse contexto, atualmente Lula e dirigentes do PT avaliam a possibilidade de estimular uma candidatura de Tebet ao Senado ou ao governo de São Paulo, sob a avaliação de que seu nome poderia fortalecer o palanque do presidente no maior colégio eleitoral do País. A ministra, no entanto, construiu sua trajetória política no Mato Grosso do Sul.

Estadão
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