Eleições e pirarucu no cardápio: veja como foi o jantar de Lula com Motta e líderes de partidos
Presidente diz que disputa de 2026 não está ganha, mas tem confiança na vitória
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a deputados da base aliada, na noite desta quarta-feira, 4, que a eleição deste ano não está ganha, mas mostrou confiança de que ocupará novamente o Palácio do Planalto.
Em jantar de confraternização com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ministros e líderes de partidos, na Granja do Torto, Lula afirmou que dará argumentos a todos para defenderem o governo nas eleições. Destacou vários indicadores da economia e, sem citar Jair Bolsonaro, repetiu que qualquer número deve ser comparado com a gestão de seu antecessor.
Ao som de "Disparada", música de Geraldo Vandré e Théo de Barros que traz nos primeiros acordes os versos "Prepare o seu coração/Pras coisas que eu vou contar", o presidente descreveu passagens de sua trajetória desde a pobreza no sertão de Pernambuco até chegar à política.
Lula se emocionou mais de uma vez. Lembrou até mesmo dos tempos em que presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e apoiou Fernando Henrique Cardoso para o Senado, em 1978. Ao abordar a época da ditadura, a trilha sonora do jantar foi "Pra não dizer que não falei das flores", também de Vandré.
Oito horas depois de lançar o Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, assinado pelos três Poderes, Lula agradeceu o Congresso e fez elogios a Motta, com quem teve atritos no ano passado. Disse que o presidente da Câmara enfrentou "momentos difíceis", mas soube reagir.
De saída do governo para disputar as eleições, os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) também receberam elogios. Gleisi será candidata ao Senado e ali já foi apresentado o seu substituto: Olavo Noleto, hoje secretário executivo do "Conselhão". O presidente insiste para que Haddad concorra ao governo de São Paulo.
As eleições de outubro, aliás, deram o tom do jantar, que teve pirarucu assado como prato principal, pirão, legumes e farofa de dendê. Lula contou que os peixes foram doação do titular de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para a lagoa da Granja do Torto.
Candidato ao quarto mandato, o presidente quer que mesmo os partidos do Centrão, inclinados a apoiar outro nome ao Palácio do Planalto - como o do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) -, liberem os seus diretórios nos Estados para que façam aliança com o PT.
Na confraternização desta quarta-feira, porém, Lula amenizou as "traições" e disse entender que cada partido tem sua "realidade" eleitoral. "A eleição não está ganha, mas vou trabalhar muito e andar pelo País", afirmou o presidente, de acordo com relatos de quatro participantes do encontro.
Lula chamou os deputados para a confraternização na tentativa de aparar arestas neste ano eleitoral, após um período marcado por muitos conflitos entre o Planalto e o Congresso.
Reuniões no Torto com parlamentares eram comuns nos dois primeiros mandatos de Lula, geralmente com churrasco. Nesta terceira gestão, porém, o presidente pouco conversou com as bancadas. O jantar com os senadores ocorrerá depois do carnaval.
Em determinado momento do jantar apareceu o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói, escola que vai homenagear a história de Lula na Sapucaí. O presidente irá ao carnaval com a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e ficará em um camarote da Prefeitura do Rio. Convidou todos para acompanharem a escola em outro camarote oferecido pelo prefeito Eduardo Paes e garantiu que mandará os ingressos para o dia do desfile, 15 de fevereiro.
"Mas cada um que vá por conta própria e pague sua diária", afirmou ele, de acordo com parlamentares. A homenagem da Acadêmicos de Niterói conta com recursos públicos e ainda é alvo de questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Ministério Público Eleitoral (MPE). O Planalto avalia, no entanto, que não se trata de campanha antecipada.