Eleições 2026: Ciro Gomes descarta Presidência e anuncia disputa ao governo do Ceará no sábado
O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) afirmou nesta segunda-feira, 11, que não disputará a Presidência da República em 2026 e deve lançar sua pré-candidatura ao governo do Ceará no sábado, 16. A declaração foi dada ao portal G1 após participação em evento da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo, e confirmada pelo Broadcast Político,sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
A decisão encerra semanas de especulação sobre uma eventual nova candidatura presidencial do ex-ministro, que chegou a ser publicamente incentivado pelo PSDB a entrar na disputa pelo Palácio do Planalto. Em abril, o presidente nacional da legenda, deputado Aécio Neves (MG), afirmou estar estimulando Ciro a se apresentar como "uma alternativa para o Brasil", após reunião com lideranças tucanas na Câmara dos Deputados.
Na ocasião, Ciro disse ter recebido o convite com cautela. Ele afirmou encarar a movimentação com "honra e alegria", mas ponderou que uma eventual candidatura presidencial exigiria reflexão e diálogo com sua base política no Ceará.
"Uma convocação como essa que me foi feita agora não pode ser considerada apenas um agrado ao meu já sofrido coração. Há que ser uma convocação a ser amadurecida, junto à minha comunidade, antes de mais nada, ao Ceará, de onde eu venho", afirmou na ocasião.
Apesar de não descartar de imediato a hipótese presidencial, Ciro condicionou qualquer decisão ao cenário nacional, que classificou como um dos "piores" momentos da história recente do País.
O ex-ministro disputou a Presidência da República em quatro ocasiões: em 1998, pelo então PPS, quando foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso; em 2002, também pelo PPS, na eleição vencida por Luiz Inácio Lula da Silva; e em 2018 e 2022, pelo PDT, quando perdeu para Jair Bolsonaro e, posteriormente, para Lula mais uma vez. Em nenhuma das disputas, porém, chegou ao segundo turno. Seu melhor desempenho ocorreu em 2018, quando terminou em terceiro lugar, com 12,47% dos votos válidos.
A movimentação para o governo cearense ocorre em meio a um cenário eleitoral competitivo no Estado. Pesquisa Genial/Quaest divulgada no fim de abril mostra Ciro bem posicionado tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Sem a presença do ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT) na disputa de primeiro turno, Ciro aparece com 41% das intenções de voto, à frente do atual governador Elmano de Freitas (PT), que registra 32%. Quando Camilo é incluído no cenário, porém, o petista lidera com 40%, ante 33% de Ciro.
Na simulação de segundo turno, Camilo tem 44% das intenções de voto, contra 39% de Ciro - empate técnico dentro da margem de erro. Em um confronto contra Elmano, o ex-ministro aparece numericamente à frente, com 46% contra 35%.
O levantamento ouviu 1.002 eleitores no Ceará entre 24 e 28 de abril. O nível de confiança é de 95%, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código CE-01725/2026.
Ciro chegou a ensaiar uma aliança, no Ceará, com o PL do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. A aproximação, porém, foi barrada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que criticou o histórico de ataques do ex-ministro ao ex-presidente Bolsonaro.
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