Diretor-geral da PF repudia fala de embaixador de Israel: "Surpresa negativa"
Diplomata disse que, "se escolheram o Brasil, é porque tem gente que ajuda", ao se referir a operação que prendeu terroristas no País
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos Rodrigues, disse nesta quinta-feira, 9, que as declarações feitas pelo embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, causaram "mal-estar" na corporação.
Em entrevista ao jornal O Globo, Zonshine afirmou que, "se escolheram o Brasil, é porque tem gente que ajuda", ao se referir à descoberta de que brasileiros foram recrutados pelo Hezbollah.
"Foi uma surpresa negativa, uma vez que historicamente há relações entre Brasil e Israel. Eu repudio completamente. (...) Causa mal-estar a maneira como está sendo explorado um trabalho técnico [o da PF] e que tem como únicas balizas a Constituição do Brasil e as leis brasileiras", afirmou para a jornalista Camila Bomfim, da GloboNews.
Operação Trapiche
Nesta quarta-feira, 8, a PF deflagrou uma operação que prendeu dois cidadãos brasileiros por suspeita de envolvimento no planejamento de ataques terroristas em território brasileiro. Ambos foram recrutados pelo grupo extremista Hezbollah.
De acordo com a PF, um dos brasileiros foi detido na noite de terça-feira, 7, ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. O segundo foi preso nesta quarta-feira também na capital paulista. As ordens são de prisão temporária, válidas pelo período de 30 dias. Até o momento, os nomes dos detidos não foram informados.
Batizada de Operação Trapiche, a ação também cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Distrito Federal e em Minas Gerais. Além disso, foram confiscados telefones celulares, computadores, agendas e documentos escritos.
Detalhes da investigação
As investigações revelaram que alguns desses brasileiros realizaram viagens recentes a Beirute, onde se encontraram com integrantes do Hezbollah. Durante esses encontros, foram acordados valores em troca de colaboração em atividades terroristas, além de serem estabelecidas listas de endereços a serem alvos de ataques.
O grupo sob suspeita, de acordo com os investigadores, planejava ataques contra prédios da comunidade judaica no Brasil.
A investigação teve início com informações de inteligência compartilhadas pelos governos de Israel e dos Estados Unidos, que culminou na operação realizada nesta quarta, que ganhou o nome de Trapiche.
Como mostrou o Estadão, a general americana Laura Richardson havia alertado para "intenções malignas" do Hezbollah no Brasil, ao citar como as atividades do grupo radical na América Latina são uma "preocupação".
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