De Obama a Seu Madruga, apelidos alavancam candidatos
19 jul2012 - 07h58
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Mariane Pinho
Você votaria no Fanático? E no Seu Madruga? Talvez no Bin Laden? Muitos candidatos a vereador adotam apelidos diferentes para se destacar entre as centenas de nomes que concorrem a uma vaga nas câmaras municipais das grandes cidades.
O Terra examinou a lista de candidatos das capitais e encontrou verdadeiras pérolas. Entre os nomes de urna bizarros mais usados estão Seu Madruga, Bin Laden e Papai Noel. Highlander, Lady Di, Saddam Hussein, Barack Obama, Hilda Furacão, Peter Pan, Chapolin e Pedrita são outras personagens fictícias e reais que emprestam seus nomes a brasileiros desconhecidos na política e ávidos por um cargo público.
"O que acaba vencendo é uma estratégia de marketing. E no marketing a questão do efeito é o que acaba sendo o mais importante. Essa é uma tendência da sociedade contemporânea", explica Rosemary Segurado, professora do departamento de política da PUC-SP.
Nas eleições proporcionais, os votos de todos os candidatos de um partido ou uma coligação são somados e a eles ainda são acrescentados os votos feitos nos partidos, e não em candidatos específicos. Por isso, muitas siglas lançam "puxadores de votos" para aumentar suas bancadas, e investir em nomes engraçados e fáceis de se decorar é uma estratégia.
Nas eleições de 2012, por exemplo, existem candidatos a vereador como Darci "Chutando o Balde" (PTN), em Florianópolis; Clara "Essa é Batata" (PV), em São Paulo; Oliveira Robin Hood (PHS), no Rio de Janeiro; e até Maria do Perpétuo Socorro que vira apenas "Help!!" (PTdoB), em Maceió.
"Isso é muito ruim, porque o debate político requer outras variáveis mais importantes, que acabam sendo cada vez menos presentes no campo da política. É um reducionismo muito grande", lamenta a professora.
O candidato a vereador Gerson Januário de Almeida (PRB), o Obama de BH, disse estar se esforçando para ir além do apelido que ganhou por ser sósia do presidente americano, mas admite que foi convidado pelo partido principalmente por ser "puxador de voto".
"A política está desgastada com os políticos de carreira, então os candidatos que adotam nomes fantasiosos têm mais receptividade da população", defende. "Alguns candidatos puxam votos de protesto, mas se o candidato mostrar proposta para ocupar cargo, o voto de protesto e voto consciente se combinam, dando resultado", analisa ele, que estuda gestão pública e promete melhorias na saúde se for eleito.
Além do nome
Brincadeiras e chamariscos à parte, os apelidos podem funcionar muito bem para o candidato que usar nas urnas a forma como é conhecido em seu círculo pessoal e profissional. O vereador Alceu Brasinha (PTB), por exemplo, é conhecido em Porto Alegre (RS) por seu apelido, e não por Alceu Oliveira da Rosa. O candidato a vereador e presidente do PSDB em Vitória (ES), Luiz Emanuel Zouain, também destaca que todos conhecem o Rei Momo, tucano que concorre à Câmara local, pelo apelido, e não por Luiz Vieira.
"Ele é um carnavalesco que foi Rei Momo aqui várias vezes, ele é gordão e conhecido desse jeito. Acho que ele é inteligente e um representante da cultura local. Tenho orgulho de tê-lo como candidato", defende Zouain.
Até mesmo ex-presidente da República é famoso por apelido: Luiz Inácio Lula da Silva ganhou a alcunha de "Lula" quando era representante sindical e o nome acabou representando o candidato do PT nas urnas, sendo mais tarde adotado legalmente. "É uma coisa muito comum no Brasil. Em outros países, se não falarmos o nome e sobrenome, não sabemos quem é. Aqui há uma informalidade que acaba sendo transferida para a política", explica a professora.
De qualquer forma, o eleitor precisa conhecer o candidato além do nome, defende Rosemary, verificando suas propostas e a que partido ele pertence para saber quem poderá eleger por tabela no esquema de proporcionalidade. E escolher um candidato é especialmente difícil em grandes colégios eleitorais, como São Paulo, que tem 1.192 postulantes a vereador neste ano.
Para votar em 2012, a professora recomenda que o eleitor vá atrás e descubra qual a "questão de origem" que atraiu os candidatos para a política, para depois combinar os seguintes critérios: propostas, partido e trajetória pessoal. Afinal, é muito improvável que os muitos Bin Ladens do Brasil tenham os mesmos ideais que o notório terrorista saudita.
Veja abaixo os nomes de candidatos a vereador mais inusitados que o Terra encontrou.
Aracaju (SE): Xaxá A Loba (PTC), Bin Laden (PSDB), Arroz Doce (PR), Boi Doidão (PTdoB), Colesterol (PTdoB), Hello!! (DEM)
Partidos políticos apostam em candidatos famosos (atores, esportistas, músicos), facilmente lembrados pelos eleitores, porque servem como "puxadores de voto". Isso significa que, se bem votados, podem levar para a legenda até três ou quatro cadeiras a mais nas proporcionais, devido ao coeficiente eleitoral. Os candidatos, no entanto, afirmam que querem se eleger para "fazer a diferença", "moralizar a casa", "cobrar dos governantes". Veja alguns dos que se candidatam em 2012
Assim como a Vovó da Fiel, o eleitorado corintiano também não garantiu a eleição do ex-jogador Dinei (PDT), que recebeu 9.243 votos e, novamente, não conseguiu uma vaga no Legislativo municipal
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
A cantora Rosanah Fienngo, famosa pelo hit O Amor e Poder - aquele do refrão de "Como uma Deusa" - quer tentar a carreira política e será candidata a vereadora pelo PCdoB no Rio de Janeiro. Disposta a se empenhar na empreitada, Rosanah afirmou que, caso seja eleita, vai lutar e "cumprir os horários como toda mulher trabalhadora"
Foto: Divulgação
Suéllem Rocha, conhecida como Mulher Pêra, disputou uma cadeira como vereadora em São Paulo pelo partido PTdoB. Ela não foi eleita, mas teve 2.126 votos
Foto: Fernando Borges / Terra
Situação ainda pior foi a do cantor Kiko do KLB (PSD), que teve sua candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral e seus votos não foram computados
Foto: Francisco Capeda / AgNews
Jair Gonçalves Prates, conhecido como "Príncipe Jajá" e ex-jogador do Internacional, tentará uma vaga como vereador de Porto Alegre pelo DEM
Foto: Divulgação
Ércio Quaresma, ex-advogado do goleiro Bruno, disputou uma cadeira como vereador de Belo Horizonte pelo PV e obteve 346 votos
Foto: José Guilherme Camargo/ / Especial para Terra
O evangelizador Eros Biondini, que se apresenta na rádio Canção Nova, deve ser candidato à Prefeitura de Belo Horizonte pelo PTB
Foto: Divulgação
Edi Wilson José dos Santos, conhecido como Dinho, ex-jogador do Grêmio, deve ser candidato a vereador em Porto Alegre pelo DEM
Foto: Patrícia Paes / Divulgação
Conhecida por seu rebolado revelado ao som do sucesso musical Liga da Justiça e pela fantasia de Mulher Maravilha usada no Carnaval Salvador 2011, Cissa Chagas, teve a candidatura à Câmara Municipal de Salvador pelo DEM impugnada e, por isso, não teve votos computados
Foto: Reinaldo Marques / Terra
A cantora Ângela Maria saiu candidata a vereadora em São Paulo pelo PTB, obteve 2.291 votos e não se elegeu
Foto: Paduardo / Futura Press
O humorista Marquito (PTB), do programa do Ratinho, conquistou 22.198 votos, mas também não ocupará nenhuma cadeira na Câmara
Foto: Renato S. Cerqueira / Futura Press
Na política desde 1982, o cantor Agnaldo Timóteo tentou a reeleição como vereador de São Paulo pelo PR. Ele teve 12.009 votos
Foto: Marcelo Fonseca / Futura Press
Cantor Frank Aguiar (PTB), atual vice-prefeito de São Bernardo do Campo (SP), conquistou a reeleição como vice de Luiz Marinho, do PT. O prefeito teve 261.339 votos
Foto: Yala Sena / Especial para Terra
O ex-jogador do São Paulo e do Fluminense, Washington Cerqueira, deve ser candidato a vereador em Caxias do Sul (RS) pelo PDT
Foto: Gaspar Nóbrega/Vipcomm / Divulgação
João Jorge, presidente do Olodum, deve ser candidato a vereador em Salvador pelo PSB
Foto: Divulgação
Reinaldo (à dir.), o Príncipe do Pagode, participou da corrida ao posto de vereador de São Paulo pelo PTB, mas teve a candidatura impugnada e ficou sem votos computados
Foto: Divulgação
O baterista e compositor Marcelo Yuka, também fundador do grupo O Rappa, deve ser candidato a vice-prefeito no Rio de Janeiro pelo Psol
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
A funkeira Verônica Costa foi eleita vereadora no Rio de Janeiro pelo PR com 31.515 votos
Foto: Divulgação
Charles Henriquepedia, famoso pelo conhecimento da biografia dos famosos no programa Pânico na TV, concorreu à Câmara Municipal do Rio pelo PTdoB. Ele obteve 4.795 votos, que não foram suficientes para que ele se elegesse
Foto: Fernando Borges / Terra
O comentarista esportivo Chico Lang, do PTB, recebeu 12.340 votos e não conseguiu se eleger vereador em São Paulo
Foto: TV Gazeta / Reprodução
Tatiane Frizzo (centro), ex- Rainha da Festa da Uva, se candidatou ao posto de vereadora de Caxias do Sul (RS) pelo DEM e foi votada por apenas 655 eleitores
Foto: Festa Nacional da Uva / Divulgação
A dançarina Leo Kret do Brasil conseguiu 7.495 votos, mas não se reelegeucomo vereadora em Salvador pelo PR
Foto: Divulgação
A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, tentou se reeleger como vereadora no Rio de Janeiro pelo PMDB, mas os 11.996 votos que recebeu não foram suficientes
Foto: Alexandre Vidal/FotoBR / Divulgação
O ex-jogador de futebol e ex-técnico do Flamengo, José Luis Andrade da Silva, conhecido como Andrade, recebeu 16.609 votos na eleição municipal do Rio de Janeiro. O candidato a vereador pelo PSDB não conseguiu se eleger
Foto: Márcia Feitosa/Vipcomm / Divulgação
Ator Cláudio Cavalcanti tentará ser vereador do Rio de Janeiro pelo PV
Foto: Divulgação
A ex-VJ da MTV Soninha Francine concorreu à Prefeitura de São Paulo pelo PPS e conseguiu 162.384 votos
Foto: Luis Crispino / Playboy / Divulgação
A transformista Léo Áquilla deve ser candidata a vereadora em São Paulo pelo PV
Foto: Divulgação
O treinador esportivo Dadazinho Rosenwaldo, do Atlético-MG, filho de Dadá Maravilha, se candidatou a vereador em Belo Horizonte pelo PTB. O carisma de seu pai não resultou em votos para o filho, que foi o preferido de apenas 545 eleitores
Foto: Divulgação
Sílvio Humberto, coordenador do Instituto Steve Biko, foi eleito vereador em Salvador pelo PSB com 4.123 votos
Foto: Divulgação
O Palhaço Mortadela (Ariel José Brandão dos Santos), também âncora de programa na rádio local, não conseguiu se eleger vereador em São Leopoldo (RS) pelo PR com seus 1.055 votos
Foto: Divulgação
O cartunista Nani (Ernani Glorio), conhecido em Porto Alegre também por oferecer refeições a preços populares em seu restaurante, foi votado por apenas 366 eleitores e não se elegeu pelo PSOL
Foto: Divulgação
O cantor da banda Kiloucura, Gerson Paulo de Melo, conhecido como Gerson Dupand, tentou vaga de vereador no Rio de Janeiro pelo PSDB. Com apenas 103 votos, não chegou nem perto de atingir o objetivo
Foto: Divulgação
Marcelo Arar, promoter e apresentador de rádio, se reelegeu vereador no Rio de Janeiro pelo PT com 16.756 votos
Foto: YouTube / Reprodução
Ator e apresentador de TV Leandro Fóz tentou a eleição como vereador em Maringá (PR) pelo PT. Com 225 votos, ficou longe da Câmara
Foto: Divulgação
O cantor Robsão (Robson Elias), da banda Black Style, deve ser candidato a vereador em Salvador pelo PR
Foto: Divulgação
Edgar Passos, conhecido como Rei Momo (coroa que ostentou no Carnaval soteropolitano de 2011), se candidatou à Câmara Municipal de Salvador pelo PR e foi o escolhido de 120 eleitores
Foto: Divulgação
Leo Brizola, sobrinho-neto de Leonel Brizola, concorreu à vaga de vereador de Porto Alegre pelo Psol e foi votado 464 vezes