'Brasil é ilha de felicidade', diz Múcio sobre pressão de Trump por tachar facções como terroristas
Ministro da Defesa afirmou que é preciso 'preservar a soberania nacional'
BRASÍLIA - O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou nesta segunda-feira, 23, que o Brasil é uma "ilha de felicidade" e que é preciso "preservar a soberania nacional" diante da pressão do governo Trump para classificar facções criminosas brasileiras como organizações narcoterroristas.
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A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa após o lançamento do catálogo estratégico de produtos de defesa, na sede do ministério, em Brasília. O documento visa ampliar o leque de compradores para produtos do setor no mercado internacional.
Múcio disse que "nós temos que preservar a nossa soberania e ver se isso é um mero discurso". E que, "na hora que for para o campo da prática", o governo federal saberá lidar com o assunto.
"Você abre o jornal, você vê risco da primeira página ao fim. Mas nós vivemos numa ilha de felicidade. Nós nos acostumamos a falar mal do Brasil, mas com a consciência de que é o melhor País do mundo", respondeu ao ser questionado se via risco à soberania nacional com a ofensiva de Trump.
O governo dos Estados Unidos vem pressionando autoridades brasileiras a classificar facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A iniciativa tem apoio da extrema direita brasileira, mas vem sofrendo resistência do Palácio do Planalto e críticas por parte dos especialistas.
O governo Lula entende que tachar as facções como tal permitiria uma intervenção militar estrangeira no Brasil, sob o pretexto de combater o terrorismo. Pelas definições legais do tema, facções como PCC e CV não se encaixam no conceito, uma vez que são organizações movidas pelo lucro, e não por ideologia política ou religiosa, como é o caso de grupos terroristas.
O ministro criticou a guerra feita por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Disse que "é ruim para todo mundo" quando o preço do barril de petróleo sobe de 40 para 100 dólares.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, endossou o colega de Esplanada e chamou o conflito de "perde-perde para todo mundo".
"Foi importante essa trégua de cinco dias entre Estados Unidos e Irã, porque o primeiro passo é reduzir tensões, e reduzindo a tensão abre uma oportunidade para o diálogo, para o entendimento", declarou.
Questionado sobre se vai disputar uma vaga ao Senado por São Paulo ou se manter como vice-presidente na chapa de Lula, Alckmin afirmou ser preciso "aguardar" e que não decide sozinho o destino na política.
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou o vice, mas disse não saber se Alckmin iria disputar o Senado, e que a vaga na sua chapa estaria aberta para ele.
A cerimônia no Ministério da Defesa nesta segunda marcou o papel da pasta na articulação entre a indústria nacional, as Forças Armadas e o mercado internacional.
O catálogo, segundo a Defesa, "reúne informações estratégicas sobre empresas e produtos com atuação relevante no cenário internacional". A publicação é destinada a autoridades governamentais e militares, delegações estrangeiras, investidores e potenciais compradores do setor.
O material traz 154 empresas e 364 produtos cadastrados, como embarcações, blindados, aeronaves, aviônicos e sistemas de monitoramento, desenvolvidos por empresas de diferentes portes.
Em 2025, as autorizações de exportação de produtos de defesa alcançaram o recorde histórico de 3,4 bilhões de dólares, num cenário de crescimento do setor.
O governo brasileiro tenta aproveitar o cenário de acirramento bélico e corrida armamentista no mundo nos últimos anos para intensificar o comércio da indústria nacional.