Ato pró-anistia na Avenida Paulista reúne 42,2 mil pessoas, calcula monitor da USP
Manifestação com apoiadores de Jair Bolsonaro aconteceu neste domingo, 7 de setembro
Cerca de 42,2 mil pessoas se reuniram na Avenida Paulista neste Sete de Setembro em um ato que pedia anistia a Jair Bolsonaro (PL), seus aliados políticos e aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro. A estimativa é do Monitor do Debate Político no Brasil — uma iniciativa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), da Universidade de São Paulo (USP) e da ONG More in Common.
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Considerando a margem de erro de 12% no momento de pico, a metodologia apontou um público entre 37,1 mil e 47,3 mil participantes. "A contagem foi feita a partir de fotos aéreas analisadas com software de inteligência artificial. Em 2024, no ato de 7 de setembro na Avenida Paulista, contamos 45,4 mil pessoas", informou o grupo em nota.
A metodologia utilizada incluiu fotos tiradas em três horários distintos — 15h05, 16h03 e 16h40 —, totalizando 47 imagens. Foram selecionadas 15 fotos das 16h03, considerado o momento de pico da manifestação. Para a contagem, foi utilizado o método Point to Point Network (P2PNet), que emprega redes neurais para estimar aglomerações com base em imagens.
Mais sobre a manifestação
As principais pautas da manifestação foram a defesa de uma "anistia ampla e irrestrita" e o retorno de Jair Bolsonaro à disputa presidencial em 2026. Atualmente, o ex-presidente está inelegível até 2030 devido a uma condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político.
Manifestações semelhantes ocorreram em diversas cidades do Brasil neste domingo. Enquanto filhos de Bolsonaro, como o senador Flávio Bolsonaro, marcaram presença no ato do Rio de Janeiro, Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e presidente do PL Mulher, foi uma das principais lideranças a discursar e encerrar o evento na Avenida Paulista, em São Paulo.
Bolsonaro, em prisão domiciliar desde 4 de agosto, tem proibição expressa de participar de atos públicos — diretamente ou por intermédio de terceiros. A restrição, determinada por Alexandre de Moraes (STF), integra as medidas cautelares que podem ser revogadas em caso de descumprimento.
Bolsonaro é réu na ação penal da trama golpista, mas sua prisão domiciliar decorre de outro processo em tramitação paralela no STF. Trata-se de um inquérito que aponta que ações do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, realizadas com o aval do ex-presidente, teriam como objetivo pressio nar o Supremo a arquivar a investigação principal sobre o caso golpista. Ambos foram indiciados pelos crimes de coação ao processo e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
A manifestação na Avenida Paulista começou por volta das 14h e contou com a presença de figuras políticas como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB); o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto; e o pastor Silas Malafaia, que foi o principal organizador.
Mais sobre o julgamento e anistia
Na terça-feira, dia 2, teve início o julgamento em torno da trama golpista que tem Jair Bolsonaro e outros sete aliados como réus. A ação penal é inédita e tem sido reconhecido internacionalmente como um feito histórico. Isso porquê é a primeira vez que um ex-presidente da República e militares de alta patente podem ser condenados por tentativa de ataque à democracia.
Eles são investigados por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, dano ao patrimônio público e outros crimes -- sendo Bolsonaro apontado como o líder e principal beneficiário da trama golpista.
As penas máximas somadas podem chegar a 43 anos e condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL); ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, Walter Braga Netto; ex-ajudante de ordens Mauro Cid; almirante de esquadra que comandou a Marinha, Almir Garnier; ex-ministro da Justiça, Anderson Torres; ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno; e o general e ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.
O que diverge, nesses casos, é que Bolsonaro é apontado como líder da organização criminosa e Mauro Cid deve ter a pena reduzida devido a seu acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal.
Já Alexandre Ramagem (PL-RJ), deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que também é réu, é o único acusado por apenas três desses cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado
Na quarta-feira, os réus foram defendidos pela última vez por seus advogados. Agora, o caso será retomado na semana que vem com os votos dos cinco ministros da Primeira Turma do Supremo.
A próxima sessão da Ação Penal 2668 será na terça-feira, 9, às 9h, com o início da análise dos ministros da Primeira Turma. Votarão, na ordem: Alexandre de Moraes (relator do caso), Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin (presidente da Turma). A condenação ou a absolvição dos réus será decidida pelo voto da maioria.
A Primeira Turma votar pela condenação dos réus não significa que eles serão presos imediatamente. Isso porque eles ainda podem apresentar recursos -- que podem pesar mais ou menos, a depender do placar do juri. A execução de uma eventual pena só pode acontecer após ser dado “trânsito em julgado”, ou seja, quando são esgotados todas as possibilidades de recursos.
Em meio a isso, aumenta a pressão para que a anistia seja pautada como forma de perdão a Bolsonaro, aliados e envolvidos nos atos de 8 de janeiro. No momento, circula uma minuta de anistia de autoria do líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), com pedidos abrangentes.
O texto ainda não foi protocolado, e a mobilização é para que a Câmara dos Deputados coloque a questão em pauta. Para a anistia sair do papel e virar lei, o trâmite precisa envolver aprovação do Senado e sanção do presidente Lula. Possíveis vetos do presidente podem ser derrubados pelo Congresso Nacional, mas, mesmo assim, o assunto pode vir a ser analisado pelo STF -- para avaliar se a lei está de acordo com a Constituição.
A anistia ampla que está sendo idealizada prevê o perdão, inclusive, a quem vier a ser investigado por golpe de Estado. Em uma das versões que circula, por exemplo, há pontos que buscam reverter a inelegibilidade de Jair Bolsonaro -- que o proíbe de disputar a corrida eleitoral de 2026.


