Às vésperas do julgamento, Brasília tem tensão de aliados de Bolsonaro, reforço na segurança e visita de última hora
Clima de incerteza domina a capital com mobilização de apoiadores, medidas preventivas das forças de segurança e movimentações política
Brasília vive momentos de tensão na véspera do julgamento que pode impactar diretamente o futuro político de Jair Bolsonaro. Aliados do ex-presidente se mobilizam, enquanto autoridades reforçam a segurança na Esplanada. Uma visita inesperada aumenta as especulações sobre os desdobramentos do caso.
Às vésperas do julgamento que pode definir sua liberdade, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) recebeu nesta segunda-feira, 1º, aliados políticos em sua residência no Condomínio Solar de Brasília, no Setor Habitacional Jardim Botânico, área nobre da capital federal. O ambiente é de expectativa, movimentação política intensa e reforço no aparato de segurança pública.
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O julgamento, que será conduzido pela Primeira Turma do STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes e presidência do ministro Cristiano Zanin, terá início nesta terça-feira, 2 de setembro, com previsão de se estender por seis sessões, totalizando até 27 horas de análise processual.
O caso — a Ação Penal 2668 — investiga Bolsonaro e sete aliados por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, dano ao patrimônio público e outros crimes, no contexto da tentativa de impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022. O processo é tratado como prioritário pela Corte.
Visitas e clima político
Entre os aliados que visitaram o ex-presidente nesta segunda-feira estão a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, e o deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados. Ambos mantiveram encontros reservados com Bolsonaro, em sinal de apoio institucional.
Mais tarde, o deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES) esteve na portaria do condomínio e deu declarações à equipe do Terra. O parlamentar chamou o ministro Alexandre de Moraes de "psicopata" e afirmou que o julgamento já está “com condenação pronta”. “Isso aqui não é mais Justiça, é perseguição política”, disse Gilvan. A avaliação é compartilhada, nos bastidores, por outros aliados do ex-presidente.
Segurança reforçada
Com a proximidade do julgamento e do feriado de 7 de setembro, data que tradicionalmente mobiliza apoiadores de Bolsonaro, o STF montou um forte esquema de segurança. A partir desta segunda-feira, 1º, a Praça dos Três Poderes foi completamente fechada, e o perímetro da Corte está sendo monitorado por tropas de choque, BOPE, COT e unidades com cães farejadores e detectores de metais.
A Polícia Judicial do Supremo foi reforçada com agentes de outros tribunais federais e estaduais. A operação é coordenada com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, mas o número exato de efetivos mobilizados não foi divulgado por razões estratégicas.
Quem são os réus
Além de Bolsonaro, a ação penal envolve integrantes do núcleo militar e político de seu governo, que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), teriam atuado em uma articulação para impedir a transição democrática após a eleição de 2022. São réus no processo:
- Walter Braga Netto, general da reserva e ex-ministro da Defesa
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça
- Alexandre Ramagem (PL-RJ), deputado federal e ex-diretor da Abin
- Almir Garnier Santos, almirante da reserva e ex-comandante da Marinha
- Augusto Heleno, general da reserva e ex-ministro do GSI
- Paulo Sérgio Nogueira, general da reserva e ex-ministro da Defesa
- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
Os crimes investigados incluem tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, formação de organização criminosa, entre outros.

