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Política

Alcolumbre adia sabatina de Messias para vaga no STF

Presidente do Senado divulga nota anunciando decisão que atende pedido do governo Lula

2 dez 2025 - 16h56
(atualizado às 18h05)
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BRASÍLIA - O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), adiou a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga em aberto no Supremo Tribunal Federal (STF). A sabatina estava marcada para o dia 10 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou acreditar que a sabatina de Messias deve ficar para 2026.

"Se [a mensagem da indicação] fosse encaminhada amanhã, dificilmente daria tempo para este ano. Fica um tempo muito curto. Pelo que estou vendo, fica para o próximo ano", declarou Otto em entrevista à Globonews.

Alcolumbre atribuiu o adiamento ao fato de o Palácio do Planalto não ter enviado a mensagem de indicação de Messias, burocracia necessária para a formalização da indicação. "Essa omissão (no envio da mensagem), de responsabilidade exclusiva do Poder Executivo, é grave e sem precedentes", afirmou o presidente do Senado em nota.

"Após a definição das datas pelo Legislativo, o Senado foi surpreendido com a ausência do envio da mensagem escrita referente à indicação, já publicada no Diário Oficial da União e amplamente anunciada", escreveu.

"É uma interferência no cronograma da sabatina, prerrogativa do Poder Legislativo. Para evitar a possível alegação de vício regimental no trâmite da indicação — diante da possibilidade de se realizar a sabatina sem o recebimento formal da mensagem —, esta Presidência e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) determinam o cancelamento do calendário apresentado", concluiu a nota do presidente do Senado.

Após o anúncio de Alcolumbre, o relator da indicação de Messias, senador Weverton Rocha (PDT-MA), se reuniu reservadamente atrás do plenário com o líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA), para discutir o adiamento da sabatina e votação do nome de Messias ao STF.

Em conversa com jornalistas, Wagner minimizou o tom da nota de Alcolumbre e disse que, "como não chegou a mensagem, ele fez o óbvio (adiar)".

Senador Weverton se reúne com líder do governo Jaques Wagner para tratar de sabatina de Jorge Messias
Senador Weverton se reúne com líder do governo Jaques Wagner para tratar de sabatina de Jorge Messias
Foto: Wesleu Galzo / Estadão / Estadão

A postergação da análise do nome de Messias representa uma vitória para o ministro e o Planalto, que vinham reclamando do pouco tempo dado por Alcolumbre para que o indicado realizasse o "beija mão" com os 81 senadores, tradicional etapa em que o candidato ao STF se apresenta em reuniões privadas com os parlamentares para dirimir resistências e ganhar votos para a sua candidatura.

"Com esse gesto do presidente Davi de cancelar o calendário, cria-se as condições para que a gente consiga começar o trabalho da relatoria e do indicado da Presidência, Jorge Messias, dessa construção para que ele possa ser aprovado na sabatina da CCJ e, logo após, no plenário do Senado", disse Weverton (PDT-MA).

O relator almoçou com Lula na última segunda-feira, 1º, e discutiu a indicação de Messias. Segundo senador, o presidente disse que, após voltar da viagem ao Nordeste, vai procurar Alcolumbre para que possam conversar e resolver a questão. "Lula certamente entregará a mensagem nesse encontro para que seja estabelecido um novo calendário", afirmou.

O líder do governo no Senado reforçou que o encontro de Lula com Alcolumbre deve selar o fim da crise em torno da indicação de Messias. "Quando o presidente volta, vamos ver se eles conversam para baixar a pressão", disse Wagner.

Lula se encontra com senadores do PSD para explicar escolha de Messias

O presidente Lula se reuniu na noite da última segunda, 1º, com os senadores Otto Alencar (PSD-BA) e Omar Aziz (PSD-AM), líder do partido no Senado, para justificar a escolha de Jorge Messias para o Supremo e tentar sensibilizá-los sobre a sua decisão.

Segundo relatou Aziz, o presidente não pediu votos dos senadores ou da bancada do PSD a Messias, mas explicou o que guiou a sua decisão.

O presidente afirmou diversas vezes durante a conversa que possuiu carinho pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ao ponto de ter se esforçado para que ele fosse candidato ao governo de Minas, mas que optou por Messias neste momento.

O petista também disse ter sido pego de surpresa com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, o que o obrigou a decidir de imediato.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, disse que não houve qualquer tipo de tentativa de postergar o envio da mensagem ao Senado com a indicação de Jorge Messias .

"Não tem nenhuma intenção do Poder Executivo de burlar qualquer coisa nesse sentido", afirmou o ministro. A declaração de Sidônio foi dada minutos após a divulgação da nota de Alcolumbre cancelando o calendário de sabatina e votação da indicação de Messias.

O ministro participava de uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto após uma reunião com outros ministros e congressistas sobre a proposta que trata do fim da escala 6x1. A nota de Alcolumbre foi divulgada enquanto a entrevista estava em andamento.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que também participava da coletiva, deixou o local logo após sua fala, sem responder a perguntas e deixando a palavra com os demais presentes.

Questionado sobre o assunto, Sidônio disse que "a pessoa mais adequada a falar sobre isso é a Gleisi", mas reforçou que "o Palácio do Planalto tem uma compreensão de que o presidente da República tem a prerrogativa de indicar o nome (para o STF) e o Senado também tem o direito de aprovar ou não".

Estadão
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