Polícia Legislativa investiga ameaça de morte à deputada Carol Dartora
Parlamentar do PT-PR acionou PF, PGR e Ministério da Justiça; remetente usou o mesmo nome de quem ameaçou deputada estadual do Pará em 2025
O Departamento de Polícia Legislativa da Câmara (Depol) abriu investigação sobre as ameaças de morte, estupro e tortura recebidas pela deputada federal Carol Dartora (PT-PR) pelo e-mail institucional da Casa.
Ao Estadão, a equipe da parlamentar confirmou que as investigações já começaram após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), autorizar a abertura de processo.
A mensagem foi recebida às 2h46 da madrugada de domingo. O remetente se identificou como Lucas Bovolini Martins, com um endereço do serviço criptografado ProtonMail, com sede na Suíça. O assunto do e-mail dizia que ela iria "pagar" e utilizava insultos racistas e misóginos.
Além de acionar o Depol, Dartora pediu à Polícia Federal abertura de inquérito. O gabinete notificou a Procuradoria-Geral da República, o Ministério da Justiça, a Secretaria da Mulher da Câmara e a liderança do PT na Casa, hoje chefiada por Pedro Uczai. O Procurador Geral da República Paulo Gonet também recebeu comunicação formal.
A mensagem continha outros ataques racistas, misóginos e contra a população LGBTQIA+. Em trecho divulgado pela deputada, o autor escreve: "Vou te encontrar e fazer você pagar por cada palavra de m... que você já disse. Vou te estuprar até você não aguentar mais... Você vai morrer, sua preta de m..."
O caso não é isolado. Em 4 de fevereiro de 2025, a deputada estadual Lívia Duarte (PSOL-PA), primeira parlamentar negra da Assembleia Legislativa do Pará, recebeu mensagem eletrônica remetida sob o mesmo nome, Lucas Bovolini Martins.
Era a terceira ameaça de morte que ela recebia. O ofício enviado à Depol aponta escalada progressiva de violência entre os dois episódios: a mensagem dirigida a Dartora acrescenta descrições detalhadas de violência sexual às ameaças de morte do caso anterior.
Nos ofícios, Dartora pede investigação por ameaça qualificada, injúria racial, violência política de gênero e ciberterrorismo. O gabinete solicita cooperação internacional para identificar o autor, dado que o ProtonMail opera sob jurisdição suíça.
Em comunicação a Motta, a parlamentar classifica o episódio como ataque ao exercício do mandato e pede reforço de segurança e medidas institucionais de proteção.
Dartora atribui as ameaças a dois projetos de lei protocolados na sexta-feira, o PL 1144/2026 e o PL 1145/2026, voltados ao combate à misoginia digital.
As propostas preveem endurecimento de penas contra ataques coordenados a mulheres na internet, responsabilização de plataformas e aumento de punições para crimes misóginos praticados por grupos organizados, incluindo os ligados à chamada cultura "red pill".