AL: bloqueados bens de deputados suspeitos de desviar R$ 300 mi
- Odilon Rios
- Direto de Maceió
Uma comissão de juízes, nomeada pelo presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Sebastião Costa, decidiu bloquear nesta terça-feira os bens do vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Antônio Albuquerque (PTdoB), do ex-deputado Dudu Albuquerque, do agiota e empresário Marcelo José Martins, o Marcelo Cabeção, e do ex-diretor da Assembleia Legislativa José Roberto Menezes. Eles são acusados de integrar um esquema que desviou R$ 300 milhões da folha de pagamento da Casa. Os bens bloqueados são de até R$ 700 mil.
O esquema foi descoberto pela Operação Taturana, da Polícia Federal, deflagrada em 2007 com o objetivo de desmontar uma organização criminosa instalada na Assembleia Legislativa. O bloqueio dos bens foi pedido pela comissão que acelera processos de improbidade administrativa, instalada sob recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Segundo as investigações, Edwilson Fábio de Melo Barros, o Dudu Albuquerque, que era primeiro suplente da Mesa Diretora, comprou uma mansão de R$ 700 mil no condomínio Aldebaran, endereço de luxo da elite alagoana, "antes utilizada pelo deputado Antônio Albuquerque e 'avalizada' por Marcelinho Cabeção", diz o inquérito da Polícia Federal. Cabeção, conforme o texto, "lava" o dinheiro da Assembleia na agiotagem. Ele é um dos maiores financiadores de campanhas eleitorais em Alagoas.
O dinheiro que pagou o imóvel teria vindo da própria Assembleia. De acordo com as investigações, Dudu Albuquerque não precisou desembolsar nenhum centavo, porque a garantia da transação veio dos cofres públicos. "Mediante um acordo espúrio, a casa seria paga em 14 parcelas descontadas diretamente da verba denominada pelos investigados de 'GAP', a qual, segundo as investigações, corresponderia ao valor de R$ 50 mil mensais", diz o inquérito policial.
Nas interceptações telefônicas, a Polícia Federal identificou que o acordo para o repasse do dinheiro não estava sendo cumprido, o que rendia palavrões e cobranças do ex-parlamentar. "Compromisso era um, de todo mês passar. Já ficou agora um mês sim, um mês não. No mês que é dele, ele pega e eu não faço zuada, no mês que é meu fica essa p****** e passa pra Nailton, Nailton passa pra Roberto, Roberto passa pra ele. Aí entregam pra ele de novo, aí, quando vai falar, é determinação, sim, mais determinação no que é dos outros?", diz Dudu Albuquerque em uma gravação, transcrita pela PF.
Dudu Albuquerque, Marcelo Cabeção e José Roberto Menezes não foram encontrados para falar sobre o caso. O advogado do vice-presidente da Assembleia Legislativa, Antônio Albuquerque, Marcelo Brabo Magalhães, disse não ter sido notificado sobre o bloqueio dos bens. "Será preciso aguardar o recebimento desta informação oficial para que seja possível tomar as providências cabíveis", disse.