Advogados de Filipe Martins deixam defesa do ex-assessor de Bolsonaro no caso do golpe
Sebastião Coelho, desembargador aposentado detido durante julgamento de Bolsonaro, e Edson da Silva Marques, da equipe de Coelho, registraram renúncias; procurado, Coelho alegou problemas pessoais e que está no 'exército dos oprimidos' em guerra contra STF e governo
Dois advogados que faziam parte da defesa de Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais da Presidência no governo de Jair Bolsonaro (PL), renunciaram ao caso e, portanto, não o defendem mais na ação penal da qual é réu por golpe de Estado. Procurados pelo Estadão, Sebastião Coelho da Silva afirmou que "não existe defesa possível" no caso e alegou problemas pessoais, e Edson da Silva Marques, que é da equipe de Coelho, disse que sua saída é natural uma vez que o chefe deixou o caso.
Ambos atuam no mesmo endereço em Brasília. Sebastião Coelho, que é desembargador aposentado, foi detido durante o julgamento da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o recebimento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Bolsonaro e outros sete, que foram tornados réus na ocasião.
Coelho foi detido em flagrante delito por desacato e ofensas ao tribunal, após tentar entrar no plenário da Turma sem possuir credenciamento, e, ao ser barrado, gritar "arbitrários".
O advogado publicou um vídeo em seu perfil no Instagram nesta quarta-feira, 24, explicando as razões da renúncia. Sebastião Coelho disse que não esperava que os ministros recebessem a denúncia e transformassem o caso em uma ação penal. Segundo ele, nesse caso, já havia avisado os outros colegas da defesa e o próprio cliente que deixaria o caso, alegando motivos pessoais, inclusive de saúde.
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"Depois de refletir sobre tudo isso, eu cheguei à conclusão que estamos numa guerra e essa guerra tem um lado, que é o STF junto com o governo atual, e do outro lado os oprimidos. Resolvi que vou me alistar no exército dos oprimidos. A minha atuação em defesa do Filipe Martins me limita", afirmou o advogado, dizendo que há situações em que ele "precisaria comentar" e "dar orientações", mas que a responsabilidade com a defesa não permitem.
Durante o julgamento da Primeira Turma do STF sobre a denúncia contra o "núcleo de gerência" do qual Martins supostamente fez parte, nesta terça-feira, 22, Coelho comparou o cliente a Jesus Cristo. A defesa ainda afirmou que o ex-assessor não é advogado e, por isso, não teria conhecimento para dar suporte jurídico a um suposto plano de golpe, como acusa a PGR.
"Aquele processo de crucificação que Jesus sofreu, Filipe Martins está sofrendo desde 8 de fevereiro de 2024, mas ele tem que acabar hoje", defendeu Sebastião Coelho. "Não há justa causa para o recebimento desta denúncia."
Martins é acusado de fazer uma das minutas de decreto que teriam circulado no núcleo duro do golpe. Em delação premiada, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, disse que Bolsonaro recebeu do então assessor um rascunho de decreto, que previa a prisão de autoridades e a convocação de novas eleições.