SP: presídio estuda punir preso por cantar hino do PCC
- Rose Mary de Souza
- Direto de Campinas
Cantar uma música durante o serviço pode levar o presidiário Valdeir Eugênio Alves, 20 anos, do regime semiaberto à perda do direito de trabalhar. A "canção", porém, não provocou reação negativa por conta de indisciplina, falta de qualidade melódica ou da má execução da cantoria. A música provocou a celeuma porque é o "hino" da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Alves, que trabalhava de dia na rua e voltava à noite ao presídio, foi ouvido a plenos pulmões entoando a canção na quinta-feira, em Campinas (a 93 km de São Paulo), quando fazia a limpeza de uma praça no Jardim Jambeiro, junto com aproximadamente outros 20 parceiros de cárcere.
Mesmo alertado pelos supervisores e pelo agente penitenciário, Alves continuou a cantarolar a música. Em um dos versos, o presidiário repetia "aqui quem manda é nóis (sic), 1533 em todo o Brasil. Saidinha, dia das mães tá aí. Vamo metê sequestros". O numeral 1533 significa PCC, porque a letra P é a 15ª do alfabeto e a C é a terceira.
Cantoria engaiolada
O detento foi separado do grupo e encaminhado ao 5º Distrito Policial, onde foi elaborado um Termo de Ocorrência. Ele cumpre pena no Centro de Progressão Penitenciária Professor Ataliba Nogueira, uma das seis unidades do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia, que reúne 7 mil presos. A direção do presídio e o seu defensor vão decidir se o rapaz poderá figurar na lista dos trabalhadores das ruas. A questão ainda será avaliada.
Não foi divulgado por qual crime Alves foi contenado, mas, em geral, detentos do semiaberto que trabalham fora do presídio são aqueles que estão terminando de cumprir sua pena por delitos leves.
Trabalho externo
Um projeto assinado e ampliado no final do ano passado entre a Prefeitura Municipal de Campinas e a Fundação de Amparo ao Preso Professor Dr. Manoel Pedro Pimentel (Funap) permite que cerca de 500 detentos inscritos no regime semiaberto trabalhem nas ruas da cidade.
Eles chegam em microônibus, recebem ferramentas e executam tarefas como limpeza de praças, poda de mato e carpinação. Cada três dias trabalhados significa um dia de remissão da pena, além do direito a cerca de um salário mínimo por mês.