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Polícia

SP: pai e madrasta acusados de esquartejar filhos são julgados

16 dez 2010 - 10h18
(atualizado em 16/12/2010 às 12h56)
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Simone Sartori
Direto de Ribeirão Pires

Atrasados em meia hora, Eliane Aparecida Rodrigues, 36 anos, e João Alexandre Rodrigues, 40 anos, acusados de matar e esquartejar os dois filhos de João em 5 de setembro de 2008, chegaram às 9h30 para o julgamento no fórum de Ribeirão Pires, município do ABC Paulista onde ocorreu o crime. Os réus vieram da Penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba, onde estão presos.

O julgamento, que tem previsão de durar dois dias, começou com a exposição da promotoria sobre o crime. Foram convocados 25 jurados, dentre os quais foram escolhidas sete mulheres para compor o júri. A defesa conta com cinco testemunhas do réu e três da ré, enquanto a acusação levvou ao plenário cinco testemunhas.

Os advogados do casal, Antonio Gonçalves e Reynaldo Fransozo Cardoso, reclamaram da fiscalização do fórum, que barrou a entrada de familiares de João Alexandre no plenário do júri, onde há 20 lugares destinados para o público. "Na igualdade de armas da justiça, o julgamento já começou desequilibrado", disse Antonio ao Terra, acrescentando que o juiz chegou a conceder dois lugares para a família do réu, mas que teria dito que essa questão não dependia dele, e sim de decisões administrativas.

Do lado de fora, o cunhado, a sobrinha e a irmã de Alexandre aguardavam. "A expectativa é de que as coisas aconteçam como devem acontecer", resumiu o cunhado. Claudia Lopes, mãe dos irmãos assassinados, Igor Giovani, 12 anos, e João, 13 anos, chegou às 9h25 ao fórum. Nervosa, ela não quis falar com jornalistas.

Testemunhas

A primeira testemunha a ser ouvida foi a conselheira tutelar Edna Aparecida Ribeiro Amante. Ela acompanhava a situação das crianças, que fugiam constantemente por causa das agressões sofridas. Após, prestou depoimento o guarda civil José Messias Santos e o investigador do Departamento de Homicídios da Polícia, José Paulo Stade.

Stade descreveu o pai dos meninos como "uma pessoa sem sentimento nenhum". Segundo ele, João não demonstrou arrependimento quando foi reconhecer os restos mortais das crianças no Instituto Médico Legal. O policial também disse que sentiu cheiro forte de limpeza quando chegou na casa da família após o crime. No local, afirmou que havia mancha de sangue e no quintal foram encontrados restos mortais carbonizados.

De acordo com o agente, a madrasta teria confirmado a participação no crime, mas não o assassinato. Ela teria dito que comprou querosene, ajudou a cortar corpos das crianças com uma foice e espalhar restos na cidade. Já o pai teria confessado ao policial a asfixia com sacos plásticos. Stade disse que João Alexandre afirmou a ele que apenas queria "dar um susto nas crianças" e acabou matando.

O crime

Os meninos Igor Giovani, 12 anos, e João, 13 anos, teriam morrido por asfixia. Em depoimento a policiais à época do crime, Eliane atribuiu a autoria do crime a João, que teria utilizado sacos plásticos para sufocar os filhos e queimado os corpos com querosene. Segundo a polícia, ela confessou ter ajudado o homem a esquartejar os corpos e espalhar os pedaços dos corpos por ruas do bairro, em sacos de lixo. Na madrugada do mesmo dia, funcionários da coleta de lixo do município encontraram os sacos e acionaram a polícia.

Os adolescentes eram acompanhados pelo Conselho Tutelar da cidade. De acordo com a polícia, eles seriam espancados constantemente em casa e, por isso, haviam tentado fugir.

O casal foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por duplo homicídio qualificado por motivo torpe, com utilização de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa das vítimas, e duas vezes por ocultação de cadáver e por fraude processual. O casal está preso na Penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba.

Fonte: Redação Terra
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