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Polícia

Preso ligado ao PCC produzia cachaça em prisão e vendia meio litro por R$ 150

Neste mês, detento e outro presidiário que vivia na mesma cela em presídio de segurança máxima foram condenados por associação criminosa

28 fev 2024 - 14h15
(atualizado às 14h36)
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Penitenciária 2 de Presidente Venceslau
Penitenciária 2 de Presidente Venceslau
Foto: Reprodução/TV Fronteira

Em setembro de 2021, durante vistoria na cela 106 do Pavilhão 1, na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP), considerada de segurança máxima, agentes de segurança penitenciária apreenderam itens que incluíam cachaça, alguns comprimidos Viagra, 15 cartões de memória e chips que continham conteúdo de pornografia adulta.

A apreensão ocorreu na cela onde residiam os detentos Edilson Pereira Reis e Tony Ricardo Silveira, ambos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo consta em decisão judicial que condenou ambos por associação criminosa.

Em nota, a Secretaria Estadual da Administração Penitenciária (SAP) afirma que a produção clandestina de fermentados alcoólicos por meio de alimentos estragados é combatida com absoluto rigor no sistema prisional de São Paulo. A Pasta reforça que não existe alambique ou foi registrada apreensão de barril na unidade citada. Confira o posicionamento na íntegra abaixo.

O caso foi revelado pelo jornalista Josmar Jozino, do UOL, e confirmado pelo Terra com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Em sentença proferida pelo juiz Gabriel Medeiros, da 1ª Vara de Presidente Venceslau, Tony Ricardo Silveira foi sentenciado a uma pena de dez anos e seis meses, enquanto Edilson Pereira Reis recebeu uma condenação maior, somando 12 anos e três meses.

Durante o processo judicial, Reis admitiu ser o responsável pela cachaça, pelos comprimidos de Viagra sem registro no Ministério da Saúde e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e pelos demais materiais encontrados.

Ao juiz, o detento afirmou que o único meio de "ganhar a vida" no presídio era fazendo a cachaça e que precisava de 10 kg de açúçar para fazer de 8 a 10 litros da bebida. Segundo o presidiário, ele usava o açúcar que tinha e pegava o restante com outros presos, para quem pagava em dinheiro ou com a bebida alcoólica. 

"A cachaça está em torno de R$ 100 a R$ 150 cada meio litro. É com essas vendas que consegue comprar sabonete, papel higiênico, caderno para encapar as "burras" da cela (divisória para visita íntima)", afirmou o juiz sobre o que foi alegado por Reis na época.

O detento também alegou que o estimulante sexual era para uso próprio, "devido a pressão de receber visita íntima da forma como é feita na prisão".

Conforme consta no processo, a polícia identificou nos cartões de memória encontrados na cela conteúdos relacionados ao crime organizado, como imagens do assassinato de Rogérios Jeremias da Simeone (Gegê do Mangue), e o vídeo de uma das audiências em que foi ouvido Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, nacionalmente conhecido como líder do PCC. 

Segundo apontaram as investigações, Reis utilizada a TV que tinha na cela, que adaptou clandestinamente para ler cartões de memória, para ter acesso a informações da facção que pertencia, bem como para receber e transmitir recados.

O Terra tenta localizar as defesas de ambos os detentos. O espaço segue aberto para manifestações. 

O que diz a SAP

Confira a nota da SAP na íntegra:

"A Secretaria da Administração Penitenciária reforça que a produção clandestina de fermentados alcoólicos por meio de alimentos estragados é combatida com absoluto rigor no sistema prisional de São Paulo. A Pasta reforça que não existe alambique ou foi registrada apreensão de barril na unidade citada. Em 2021, na Penitenciária II de Presidente Venceslau, agentes apreenderam itens proibidos na cela de um detento, o que gerou abertura de sindicância. Ao contrário do que o acusado alegou à Justiça, ele e todos os demais custodiados da unidade recebem periodicamente kits de higiene mediante recibo assinado e com data de entrega registrada. A pasta ainda ressalta que Penitenciária II adota procedimentos rígidos de segurança, ordem e disciplina para custódia de presos de alta periculosidade."

Fonte: Redação Terra
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