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PR: delegado-geral da Polícia Civil é afastado após caso Tayná

23 jul 2013
06h40
atualizado às 06h40
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Tayná foi morta no dia 25 de junho, em Colombo (PR)
Tayná foi morta no dia 25 de junho, em Colombo (PR)
Foto: Facebook / Reprodução

A suspeita de tortura policial e erro de investigação na condução do caso do assassinato da adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, pode ter custado o cargo do delegado-geral da Polícia do Paraná, Marcus Vinícius Michelotto. Sem explicar os motivos, a Secretaria Estadual de Segurança Pública informou, no final da noite desta segunda-feira, a queda de Michelotto. A nota informa apenas que o secretário de segurança, Cid Vasques, indicou o delegado Riad Braga Farhat para substituí-lo e que Michelotto assumirá outra função na corporação.

Riad Braga Farhat responde atualmente pela Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), unidade especializada no combate ao tráfico de drogas. Antes desta função, Riad foi delegado do Grupo Tigre, equipe de elite da Polícia Civil criada em 1990 e que se tornou referência no País em razão do sucesso na resolução de casos de sequestro.

Segundo a nota, a posse do novo delegado-geral deverá acontecer nos próximos dias.
A troca de comando na Polícia Civil ocorre uma semana depois da prisão de 10 policiais civis, incluindo um delegado, e outras quatro pessoas, acusados de torturar até obter a confissão de quatro suspeitos detidos pelo assassinato de Tayná.

Com a denúncia de tortura, ocorrida após um laudo do Instituto de Criminalística que apontou que o sêmen encontrado na calcinha da menina não era de nenhum dos acusados, uma nova investigação foi aberta por determinação do secretário de segurança, que também nomeou, a seu critério, a equipe responsável pela nova investigação. 

Michelotto também publicou nota comentando a troca no cargo, mas também não explicou o motivo. Veja o comunicado na íntegra: 

"Policias civis, a respeito da minha saída, tenho a dizer que foi decidida em comum acordo. Momento de oxigenação, novos rumos e novos desafios. Agora não devemos pensar na transição em si, mas em apoiarmos o novo Delegado-Geral, Dr. Riad Farhat. O Dr. Riad terá o meu apoio no que for preciso e para a missão que julgue que eu deva assumir. Vamos em frente para implantarmos os projetos do Governo Beto Richa e, ao lado do Secretário Cid Vasques, melhorarmos cada vez mais a nossa instituição e qualificarmos mais nossos serviços à população paranaense.

Agradeço a todos os policiais civis pelo apoio irrestrito dado na nossa gestão."

Caso Tayná
Tayná desapareceu no dia 25 de junho quando voltava da casa de uma amiga, nas proximidades de um parque de diversões, em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. O corpo da menina foi encontrado no dia 28 de junho. Três dos quatro suspeitos, presos no dia anterior, confessaram ter estuprado e matado Tayná. Um deles não teria participado diretamente do crime. No mesmo dia, o parque de diversões foi depredado e incendiado por moradores da região.

No dia 5 de julho, a Polícia Civil conclui o inquérito, indiciando Adriano Batista, 23 anos, Sérgio Amorin da Silva Filho, 22 anos, e Paulo Henrique Camargo Cunha, 25 anos, por estupro e assassinato da menina. Ezequiel Batista, 22 anos, irmão de Adriano, foi indiciado como cúmplice do crime. 

Porém, no dia 9 de julho, o resultado de exame de DNA indicou que o sêmen encontrado na calcinha da garota não é compatível com o material genético de nenhum dos quatro acusados. Na sequência, em depoimento ao Ministério Público, os quatro acusados negaram participação no crime e denunciaram terem confessado sob tortura. Com a contradição entre o inquérito e a prova pericial, o Ministério Público devolveu o inquérito à Polícia Civil.

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Fonte: Especial para Terra
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