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Polícia

PM é ferido no rosto por bala de borracha do Exército na BA

6 fev 2012 - 17h04
(atualizado às 19h28)
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Um policial militar foi atingido no rosto, nesta segunda-feira, por uma bala de borracha disparada pelas forças do Exército que mantêm cerco ao prédio da Assembleia Legislativa da Bahia. A Secretaria de Segurança Pública do Estado não soube informar se a vítima estava dentro do prédio ou se fazia parte do grupo de manifestantes que demonstrava apoio aos PMs do lado de fora do cerco, entre eles familiares e outros PMs que queriam se unir aos grevistas no interior da AL.

O coronel Hertz, das Forças Armadas, afirmou ao Terra que o homem estava nos arredores da Assembleia e forçou a passagem. "Manifestantes externos começaram a provocar a linha de isolamento. Foi necessária a utilização de armamento não-letal, e esse elemento acabou ferido." Além de tiros, as forças nacionais recorreram a gás lacrimogêneo e de pimenta para responder à pressão dos manifestantes.

De acordo com Hertz, a situação no local já se encontrava "estabilizada" por volta das 16h30. "Estamos esperando o progresso das negociações para dar fim a esse movimento", completou, acrescentando não reconhecer o registro de outros feridos nesta tarde, embora um manifestante tenha sido atingido no pé.

Um homem chegou a ser preso, mas foi liberado em seguida. De acordo com o governo, ele portava uma pistola e uma faca, que foram apreendidas. O deputado Capitão Tadeu (PSB), uma das lideranças da PM, conseguiu autorização para levar um policial para conversar com o presidente da Associação dos Policiais, Bombeiros e de seus Familiares do Estado (Aspra), Marcos Prisco. Ele pediu que os familiares que estão do lado de fora da Assembleia permanecessem calmos para evitar novos confrontos. Líderes das outras associações que representam os PMs informaram hoje que se retiraram da negociação por conta da "intransigência do governo".

Furo ao bloqueio

Um PM, filho da assistente social Arlete Meireles, furou o bloqueio e se juntou aos grevistas. Ele chegou a ser perseguido pela Força Nacional, mas conseguiu escapar. A ação do rapaz, que está na corporação há dois anos, foi comemorada pelos manifestantes. Uma mulher de policial acompanhada de uma criança também tentou furar o cerco, mas foi impedida pelo Exército e Força Nacional.

O capitão Tadeu negociou com o Exército a entrada de um familiar dos grevistas para levar "uma mensagem" cujo teor não foi divulgado. Mulheres de policiais fazem um cordão de isolamento na frente dos manifestantes, agrupados na rampa da AL. Alguns usam colete a prova de bala, outros acompanhados pelos filhos.

Os manifestantes pediram, por meio do Facebook, apoio de colegas grevistas. "Colegas aquartelados venham agora para o CAB pelo amor de Deus. Estamos sitiados, precisamos de ajuda." Os grevistas passaram a noite com medo de uma possível invasão do local. Homens do Exército, Força Nacional, Polícia Federal e das Companhias Independentes de Policiamento Especializado da Polícia Militar cercaram a Assembleia por volta de 5h50. O grupo afastou a imprensa do local e fechou as ruas de acesso ao Centro Administrativo da Bahia (CAB). O trânsito da Avenida Paralela para o CAB foi interditado, e o efetivo dispôs lonas e grades ao redor da AL.

De acordo com tenente-coronel Cunha, a intenção do Exército não é invadir a Assembleia. "Nosso objetivo é fazer o isolamento para permitir o pleno funcionamento do CAB. Nossa intenção é possibilitar a abertura das negociações para permitir o cumprimento dos mandados de prisão."

A greve

A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. A paralisação provocou uma onda de violência em Salvador e região metropolitana. O número de homicídios dobrou em comparação ao mesmo período do ano passado. A ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.

Em todo o Estado, eventos e shows foram cancelados. A volta às aulas de estudantes de escolas públicas e particulares, que estava marcada para 6 de fevereiro, foi prejudicada. Apenas os alunos da rede pública estadual iniciaram o ano letivo. As instituições particulares decidiram adiar o retorno dos estudantes.

Para reforçar a segurança, a Bahia solicitou o apoio do governo federal. Cerca de três mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. As tropas ocupam bairros da capital e monitoram portos e aeroportos.

Os PMs amotinados estão acampados no prédio da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), na avenida Paralela, em Salvador. O presidente da AL, deputado Marcelo Nilo (PSDB), solicitou apoio ao general da 6ª Região, Gonçalves Dias, comandante das forças de segurança que estão atuando na Bahia, para a retirada dos grevistas do edifício, que chegou a ser cercado por 600 homens do Exército e teve as luzes desligadas.

Dois dias após a paralisação, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando a ilegalidade da greve e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), que comanda o movimento, suspenda a greve. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos. Cerca de 40 homens do Comando de Operações Táticas, a tropa de elite da Polícia Federal (PF), foram destacados para cumprir as decisões judiciais.

A categoria reivindica a criação de um plano de carreira, pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.

Com informações da agência A Tarde.

Fonte: Terra
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