PM avalia aumentar segurança caso júri absolva casal Nardoni
- Fabiana Leal
- Direto de São Paulo
A Polícia Militar (PM) avalia aumentar o efetivo de segurança no Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, em caso de absolvição de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar a menina Isabella Nardoni em 2008. De acordo com o tenente-coronel Ricardo de Souza, o efetivo seguirá o mesmo se o júri popular condenar o casal, mas será ampliado se eles não forem considerados culpados.
Souza afirmou que o casal seguirá diretamente para presídios se forem condenados, mas não soube informar como será feita a segurança dos acusados em caso de absolvição. Segundo ele, a Polícia Militar estuda como ampliar o efetivo, mas ainda não definiu de quanto será este aumento.
Desde a segunda-feira, manifestantes mostram apoio à família de Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, e pedem a condenação dos acusados em frente ao Fórum de Santana, onde ocorre o julgamento. Na quarta-feira, o advogado da defesa, Roberto Podval, foi agredido com um chute na entrada do tribunal. O agressor fugiu logo depois.
Na manhã desta quinta-feira, a segurança já foi reforçada no trajeto das respectivas penitenciárias, onde os réus passam as noites, até o local do julgamento. Nos dias anteriores, apenas uma viatura da Força Tática acompanhava os veículos das penitenciárias. Hoje duas viaturas fizeram parte de cada comboio.
No 4º dia de júri popular, ocorre o depoimento dos réus, um dos momentos mais aguardados do caso, que deve tomar quase todo o dia. Após mais este procedimento, o conselho de sentença se reúne e vota os quesitos para determinar a condenação ou absolvição do casal. Em seguida, o juiz Maurício Fossen fará a leitura da decisão do júri no Plenário.
O caso
Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.
O júri popular do casal começou em 22 de março e deve durar cinco dias. Pelo crime de homicídio, a pena é de no mínimo 12 anos de prisão, mas a sentença pode passar dos 20 anos com as qualificadoras de homicídio por meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e tentativa de encobrir um crime com outro. Por ter cometido o homicídio contra a própria filha, Alexandre Nardoni pode ter pena superior à de Anna Carolina, caso os dois sejam condenados.