PF prende 16 em operação contra fraudes a leilões em Sergipe
- Andrea Vaz
- Direto de Sergipe
Após 18 meses de investigação, a Polícia Federal em Sergipe deflagrou na manhã desta quarta-feira a Operação Arremate, com o objetivo de cumprir 11 mandados de prisão preventiva e cinco de temporária, além de 15 de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara da Justiça Federal no Estado. Às 8h20, todos os mandados foram cumpridos. Entre os presos, estão empresários sergipanos e leiloeiros que se beneficiavam da prática criminosa.
Durante coletiva realizada na noite desta quarta-feira, o Ministério Público Federal (MPF) falou sobre os mecanismos usados pelos 16 suspeitos para fraudar leilões judiciais e extrajudiciais. Entre as ações criminosas, estava o pagamento de taxas para que concorrentes desistissem de dar lances. "Por exemplo: um bem que estava avaliado em R$ 5, 5 milhões, eles ofereciam R$ 1 milhão para alguém que percebessem que daria um lance maior, para que a pessoa desistisse, e arrematavam por menos. A quadrilha atuava sempre com o mesmo objetivo: arrecadar o bem pelo menor valor pedido", afirmou o procurador Paulo Guedes.
De acordo com a polícia, o esquema criminoso também contava com intimidação de participantes para que eles desistissem do leilão. O procurador ainda afirma que existem filmagens que mostram os integrantes da quadrilha saindo para fazer negociações. José Paixão de Jesus, empresário do segmento automotivo, foi apontado como líder do esquema e articulador da quadrilha desmantelada.
Também presente na coletiva, o superintendente da PF, José Grinaldo de Andrade afirmou que dois dos detidos devem ser liberados nas próximas horas. De acordo com o oficial, isso acontecerá porque, após depoimentos, "se concluiu que não precisam ficar presos". "A Polícia Federal tem uma preocupação com a qualidade. Nós não estamos prendendo por prender. As prisões passaram pelo crivo do Ministério Público e são decretadas pela Justiça. A Justiça Federal fez a denúncia e solicitou à Polícia Federal que fizesse as investigações", afirmou.
Apenas nos leilões da Justiça Federal e do Trabalho, a fraude chega a contabilizar um prejuízo de R$ 35 milhões. No entanto o valor pode ser maior, já que outros órgãos públicos também tiveram valores altos em leilões fraudados. De acordo com a PF e o MPF, os leilões que tiverem confirmado fraude podem ser cancelados. Dos acusados de integrarem a quadrilha, seis são empresários, são eles: Paulo Afonso Costa Viana, Cláudio Luiz da Silva, que é corretor, Geraldo Soares Dias, proprietário de uma imobiliária, Ângelo Ernesto Ehl Barbosa, que seria marido de uma procuradora Geral do Estado, Álvaro José Nunes de Castro e Thiago Prado de Castro Lima.
Também foram detidos os leiloeiros Edrovaldo de Carvalho Santos, o advogado Carlos Augusto Santos Fiel e o bancário Ezequiel Oliveira Santos. As outras pessoas detidas vivem da compra e venda e da participação em leilões. Os envolvidos responderão por crimes de corrupção, de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Eles foram levados para o Presídio de Segurança Máxima do bairro Santa Maria, zona sul de Aracaju, após passarem por exames de Corpo de Delito no Instituto Médico Legal (IML).