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Polícia

Operação da polícia deixa 6 mortos em favela do Rio

3 mai 2010 - 09h49
(atualizado às 11h09)
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Uma megaoperação da Polícia Civil no domingo provocou a morte de seis pessoas no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Entre os mortos está Ivanildo Francelino dos Santos, o Pitoco, suspeito de matar, em fevereiro de 2009, o fotógrafo de O Dia André Alexandre Azava, o AZ. Um dos mortos nos confrontos seria inocente, segundo moradores da favela. Uma mulher ficou ferida e 20 pessoas foram detidas, mas só duas ficaram presas.

Policiais levam corpo de suspeito morto no confronto
Policiais levam corpo de suspeito morto no confronto
Foto: Leslie Leitão / O Dia

A ação nas favelas Nova Holanda e Parque União mobilizou cerca de 300 agentes para cumprir dez mandados de prisão. Pitoco e seu comparsa Emerson Janet-Laine da Silva, o Mão, que escapou, eram os principais alvos.

Segundo as investigações, Pitoco era integrante de um grupo de mais de 60 criminosos que aterrorizam 20 bairros da zona norte do Rio. Ele se especializou em executar policiais e tinha pelo menos cinco vítimas em sua ficha criminal. Entre eles estão o inspetor Sandro Luiz Gonzaga, neto do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, em setembro de 2008; o soldado Vanderlei Abreu da Paixão, do 23a BPM (Olaria), e o sargento Wilson Carvalho, do 1º BPM (Estácio), atacados em janeiro perto da sede da prefeitura, na Cidade Nova.

A chegada dos policiais à Maré aconteceu pouco antes das 6h. Agentes de delegacias distritais fizeram um cinturão de segurança para evitar que suspeitos fugissem, enquanto os das unidades especializadas entraram. Houve um tiroteio de mais de uma hora.

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, elogiou a operação. "Esses bandidos são responsáveis pelo homicídio de policiais, jornalistas, fora outros assaltos. Tendo boa informação, a polícia vai entrar onde quer que seja, não importa o dia nem o horário", afirmou, lembrando que nem as barricadas de concreto ou o ônibus da linha 179 (Central-Alvorada), atravessado na rua pelo tráfico, impediram a incursão.

Tiroteio na saída de baile funk

Na entrada da polícia na Nova Holanda, o confronto ocorreu no momento em que terminava um baile funk numa das principais ruas da favela. No Parque União, agentes enfrentaram forte resistência e quatro traficantes acabaram mortos.

Às 11h, a 27ª DP (Vicente de Carvalho) recebeu a informação exata da casa que Pitoco invadira para se esconder. Com apoio da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), houve o cerco. Do segundo andar, o bandido reagiu, mas foi morto. "Foi um terror da população de bem que tiramos das ruas", disse o subchefe operacional, delegado Carlos Oliveira.

Cinco suspeitos mortos pela PM

À noite, cinco integrantes da quadrilha de Pitoco e Mão foram mortos em troca de tiros com policiais do 16º BPM (Olaria) na avenida Brás de Pina. O grupo havia roubado o carro de uma mulher, em Irajá. Avistados pelos PMs, houve o confronto em Brás de Pina e os suspeitos morreram. O tiroteio apavorou moradores.

Durante a ação na Maré, dez carros roubados e 24 motos foram recuperados. O veículo que mais chamou a atenção foi uma Kawasaki 750 cc preta, avaliada em cerca de R$ 33 mil, com placa clonada.

Máquinas caça-níqueis também foram recolhidas em bares. Não houve represálias do tráfico, apesar de os policiais terem interceptado, via rádio, ameaças de atear fogo a ônibus na avenida Brasil, que teve o policiamento reforçado.

Próximo ao Ciep Presidente Samora Machel, agentes descobriram uma oficina de armas, onde havia prensa usada para embalar maconha, ferramentas, munição e quatro granadas de fabricação caseira. Na operação, foram apreendidos ainda um fuzil, três pistolas, cocaína, maconha, munição e carregadores de armas.

PM acusada de matar inocente

Moradores acusaram policiais de executar Márcio Marinho, morador da Nova Holanda. Sem se identificar, disseram que agentes chegaram a revistar o rapaz, que era funcionário de uma gráfica, e teriam tirado dinheiro de seu bolso, antes de atirar pelas costas. Segundo o laudo cadavérico, Márcio foi atingido no peito e nas nádegas. Os dois tiros perfuraram o corpo da vítima.

À tarde, cerca de 200 pessoas estiveram no enterro do rapaz no Cemitério do Caju. "Ele estava no bar quando os policiais chegaram. Perguntaram por que ele não correu. Ele disse que estava esperando acalmar. Quando saía, atiraram covardemente e mataram um inocente", disse uma vizinha. Os amigos contaram que Márcio não usava drogas. Segundo eles, dois irmãos do jovem já haviam morrido de forma violenta.

A delegada Valéria de Castro, da 21ª DP (Bonsucesso), acompanhou a perícia e descartou que os tiros tivessem partido do alto. Ela informou que os bandidos atiraram a esmo na direção do helicóptero e que Márcio pode ter sido atingido neste momento. "Ele estava no baile funk, provavelmente tinha bebido e pode ter ficado desnorteado com os disparos dos criminosos. Ainda não havia nenhum policial na favela. Quando entramos, ele já estava caído", afirmou a delegada.

Bala perdida

Perto de onde Márcio morreu, Adriana Alves, 25 anos, foi atingida por bala perdida na mão direita. "Quando escutei tiros, corri para me abrigar numa padaria. De repente, senti impacto e vi a mão sangrando. Estou preocupada em ficar com seqüelas", disse ela, chorando, antes de procurar socorro.

Marco Antônio dos Santos foi preso em flagrante por policiais da 37ª DP (Ilha) com uma pistola, radiotransmissor e um cordão de ouro com a letra "A" cravejada em brilhantes - uma referência ao chefe do tráfico no Parque União, Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga. Já Roberto Vasconcellos Brum, contra quem havia três mandados de prisão por assalto, foi capturado por agentes da Core.

Fonte: O Dia
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