Mulher é presa em Mossoró por fingir ser advogada, juíza, procuradora, desembargadora e mais
Detida por porte de documentos falsos, a mulher afirmava ser agente do FBI e chefe da Interpol nas redes sociais
Uma mulher de 46 anos foi presa em flagrante em Mossoró (RN) na última quarta-feira, 20, por uso de documentos falsos e se dizer ocupante de diferentes cargos públicos. Identificada como Célia Soares de Brito, natural de Juazeiro do Norte (CE), ela afirmava ser desembargadora, promotora, juíza, advogada, agente do FBI, chefe da Interpol e até “guardiã da democracia mundial”.
A detenção ocorreu após um motorista de aplicativo desconfiar do excesso de bagagens e das versões contraditórias fornecidas por Célia, que viajava acompanhada da mãe e da filha. Ao chegar a um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR-304, a suspeita apresentou uma carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com indícios de falsificação. O documento não tinha chip, continha dados inconsistentes e trazia um número de registro pertencente a um advogado do Paraná. Também foi encontrado um certificado de posse adulterado.
Célia foi encaminhada à Delegacia de Polícia Civil de Mossoró, onde o material apreendido passou por perícia e a fraude foi confirmada. O celular dela também foi retido para investigação. Já a mãe e a filha foram ouvidas e liberadas.
Na audiência de custódia realizada no dia seguinte, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte concedeu liberdade provisória mediante o pagamento de fiança no valor de dois salários mínimos. A decisão impôs medidas cautelares como a obrigação de comparecer a todos os atos do processo, comunicar ausências superiores a oito dias de sua casa em São Paulo e não mudar de residência sem autorização judicial.
Em suas redes sociais, Célia compartilhou registros de manifestações bolsonaristas em Juazeiro do Norte. Segundo os registros, após a derrota eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022, ela acampou em frente ao Tiro de Guerra de Juazeiro, vestida de verde e amarelo e empunhando a bandeira do Brasil.
No imóvel no bairro Lagoa Seca, onde os cartões de visita de Célia indicam ser seu escritório, há uma placa onde ela se identifica como “chefe fiscalizadora dos ministros do STF”. Em 2020, Célia foi candidata a vereadora em Juazeiro pelo Partido Verde (PV), mas só recebeu 19 votos.
Em nota ao Terra, a defesa de Célia informou que não se pronunciará a não ser pelos autos do processo. Os advogados também alegaram que a cliente tem sido alvo de “zombarias infundadas” desde a repercussão do caso nas redes sociais. O caso segue sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público, que apuram se a suspeita utilizou as credenciais falsificadas em outras situações.