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Mulher de Amarildo diz que acusações sobre tráfico de drogas são mentiras

11 ago 2013
13h33
atualizado às 13h37
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A mulher, Elizabeth, e os seis filhos do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza (Anderson, Emerson, Ana Beatriz, Amarildo, Allisson e a pequena Milena, de 6 anos) compareceram neste domingo ao ato de solidariedade organizado por diversas instituições da sociedade civil em alusão ao Dia dos Pais, comemorado neste domingo, para cobrar das autoridades um desfecho para o caso. O ajudante de pedreiro desapareceu no último dia 14 de julho, quando foi levado por policiais militares para a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha.

<p>Família do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza participa de protesto organizado por ONGs na Rocinha</p>
Família do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza participa de protesto organizado por ONGs na Rocinha
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Elizabeth disse que todas as acusações de envolvimento dela e do marido com o tráfico são mentirosas e visam a desviar o foco de atenção das investigações sobre o desaparecimento do marido. "Isso é tudo mentira. Para eles falarem isso, tem que ter prova", declarou, ao comentar o relatório apresentado pelo ex-delegado adjunto da 15ª Delegacia Policial (DP) da Gávea, na zona sul da cidade, Ruchester Marreiros. Nas suas investigações, o delegado indicava o envolvimento do pedreiro e de sua mulher com o tráfico na comunidade. O relatório foi desconsiderado pelo delegado titular da 15ª DP, Orlando Zaccone.

A mulher do pedreiro declarou ainda que, sem imagens, fica fácil falar qualquer coisa. "Estão querendo sair do foco e querendo me envolver." Segundo Elizabeth, a casa onde a família mora nunca foi usada por traficantes. "Minha casa nunca foi alvo de nada." Ela ressaltou que está com medo da polícia, "porque a gente não sabe o que está no coração deles". "Já que estão inventando isso, então para poder fazer alguma coisa de ruindade comigo e com minha família, está custando pouca coisa."

<p>A Anistia Internacional cobrou resposta das autoridades sobre o sumiço de Amarildo</p>
A Anistia Internacional cobrou resposta das autoridades sobre o sumiço de Amarildo
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

O filho de Elizabeth, Anderson Dias Gomes, 21 anos, declarou estar angustiado com as insinuações feitas contra a mãe e o pai. "Nós já estamos sofrendo bastante para eles inventarem uma calúnia dessa, sem provas." Ele relatou que a casa em que a família mora é pequena, "muito mal dá para a gente dormir", e não tem sequer quintal que possa funcionar como rota de fuga, como teria sugerido a polícia.

Anderson afirmou que não existe na Rocinha a paz que a UPP diz ter trazido a comunidade. "Não existe paz." Ele disse que os traficantes vivem nos becos e nas vielas e destacou que, de mil moradores da favela, "99% são trabalhadores, pagam seus impostos". Ele prometeu lutar até o fim para solucionar o desaparecimento de Amarildo. "Eu, enquanto estiver vivo, nunca vou desistir do meu pai." Anderson não quer que o caso se transforme em mais um número apenas, "como outros casos que ficaram impunes".

Elizabeth ficou alguns dias fora da cidade, na casa da filha, mas retornou à Rocinha. Ela destacou que esta é a primeira vez em que os seis filhos passam o Dia dos Pais sem Amarildo."'Está sendo triste para mim, para meus filhos, a família toda." Elizabeth disse ainda esperar por justiça, agora que o marido está morto, "porque, até agora, a justiça não apareceu".

Agência Brasil Agência Brasil

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