Morte de Wesley: Ciep adota medidas para evitar nova tragédia
O Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Rubens Gomes, escola onde morreu o menino Wesley Guilber de Andrade, 11 anos, anunciou nesta terça-feira que os alunos não ocuparão as salas viradas para as comunidades do Chapadão, Pedreira e Quitanda, localizadas no entorno da escola municipal, na zona norte do Rio. A medida visa evitar que mais crianças sejam atingidas por tiros disparados durante operações policiais contra traficantes da região.
A decisão foi tomada pela direção da escola e anunciada na manhã desta terça-feira, em solenidade que marcou a volta às aulas. O Ciep tem um total de 1,2 mil alunos. A mãe de Wesley, Islane Rodrigues, participou do evento e falou da tristeza de não ver o filho na escola. "É muito triste voltar aqui e ver que meu filho não está. Espero que as autoridades tomem alguma providência para evitar que outras pessoas fiquem feridas ou sejam mortas", disse Islane.
A Secretaria municipal de Educação planeja construir um muro em volta da escola para evitar novos incidentes. Wesley estudava no Ciep quando policiais militares do 9º Batalhão (Rocha Miranda) iniciaram troca de tiros com bandidos que, de acordo com testemunhas, seriam do morro da Pedreira. Ele foi atingido por uma bala perdida, chegou a ser socorrido por duas professoras e levado para o Hospital Carlos Chagas, mas não resistiu aos ferimentos.
Após a ação, o coronel Fernando Príncipe, comandante do 9º Batalhão, foi exonerado do cargo. Mesmo com a morte do menino, o policial defendeu que as operações na região sejam mantidas. "O Ciep é irrelevante. Se não houver Ciep, haverá uma casa, uma fábrica. Mas o pior é não realizar operações", disse.