Miliciano chefe do Bonde do Jura é preso em Nova Iguaçu
Acusada de atuar em pelo menos 27 bairros de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e de ser responsável por aproximadamente 100 assassinatos, a milícia conhecida como Bonde de Jura sofreu uma baixa importante, na madrugada desta quinta-feira. Agentes da 56ª DP (Comendador Soares) prenderam Ubiraci Araújo da Fonseca, o Bira, 29 anos, que, segundo as investigações da polícia, assumiu a chefia do grupo paramilitar após a prisão do PM Juracy Alves Prudêncio, o Jura, no dia 27 de agosto.
A prisão de Bira aconteceu no bairro de Morro Agudo, reduto do grupo. Ele estava no Siena desarmado, não reagiu à prisão. Contra Ubiraci havia mandado de prisão preventiva pelos crimes de homicídio e formação de quadrilha, expedido pela 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu.
De acordo com o delegado Marcos Santana, Bira foi o único miliciano que conseguiu fugir do cerco da Polícia Civil durante a Operação Limpa Trilho, desencadeada em agosto, quando 10 pessoas foram presas, das quais oito PMs. Segundo o setor de inteligência da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais (Draco/IE), o Bonde do Jura cobrava taxas de moradores e comerciantes, com o argumento de combater a criminalidade e oferecer benefícios.
O grupo também explorava sinal clandestino de TV a cabo (¿gatonet¿), venda de botijão de gás e transporte alternativo de Kombis e mototáxis. No ano passado, Jura foi o segundo candidato a vereador mais bem votado de Nova Iguaçu. Ele recebeu 9.335 votos, mas o Partido Republicano Progressista (PRP), pelo qual concorreu, não obteve o coeficiente eleitoral. O miliciano também é suspeito de encomendar a morte de dois delegados da Polícia Federal.