Justiça quebra sigilo de suspeitos de pedofilia em Catanduva
Chico Siqueira
Direto de Araçatuba
A Justiça de São Paulo atendeu nesta terça-feira ao pedido do Ministério Público para quebrar os sigilos telefônico e digital das pessoas suspeitas de pertencer a uma suposta rede de pedofilia que teria molestado pelo menos 24 crianças nos bairros Jardim Vila Alpino e Cidade Jardim, em Catanduva, a 380 km da capital paulista.
Até agora, as autoridades relacionaram oito suspeitos, entre eles um médico, um comerciante e um empresário, que terão suas linhas vasculhadas para saber se eles tinham relação entre si e se algum deles ligou para as famílias das vítimas, fazendo ameaças.
Além dos telefonemas, os suspeitos terão suas correspondências e arquivos digitais verificados. Uma medida será recuperar a página do Orkut de William Melo Souza, 19 anos, que está preso sob suspeita de ter participado dos abusos junto com o tio, o borracheiro José Barra Nova Melo, acusado de ter abusado de pelo menos 14 crianças. As autoridades querem descobrir se realmente William tinha como amigos outros suspeitos em sua página de relacionamento no Orkut, conforme denunciaram algumas mães às autoridades.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado também deve determinar a quebra de sigilo telefônico dos suspeitos. Segundo o promotor Carlos Fortes, que assessora a CPI, pelo menos 20 linhas serão checadas, entre elas, algumas de famílias de vítimas que relataram ameaças feitas por telefone por pessoas não identificadas. "Vamos cruzar todas as linhas para saber se algum dos envolvidos ameaçou as mães das crianças abusadas", disse Fortes.
Segundo o promotor, o pedido de quebra será feito ainda nesta semana para que a CPI tenha tempo de analisar o cruzamento das ligações a partir da próxima quarta-feira, data em que está programado o início dos trabalhos da CPI em Catanduva.