Justiça condena trio envolvido no assassinato de advogado perto da OAB-RJ
Rodrigo Marinho Crespo foi morto a tiros em 2024; julgamento de envolvidos durou dois dias
O Conselho de Sentença do III Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou na sexta-feira, 6, Leandro Machado da Silva, Cezar Daniel Mondêgo de Souza e Eduardo Sobreira Moraes a 30 anos de prisão, cada um deles, pelo assassinato a tiros do advogado Rodrigo Marinho Crespo ocorrido em 2024 próximo à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Centro do Rio de Janeiro.
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O julgamento do trio durou dois dias. Segundo o juiz Cariel Bezerra Patriota, ficou evidenciada a participação dos réus com outros indivíduos para compor um extenso grupo de sicários no Rio de Janeiro. O magistrado, conforme o TJ-RJ, destacou que esse grupo assola o Estado por meio de ordenação, estruturação, divisão de tarefas, com o fim de obter inúmeras vantagens.
"É extremamente preocupante que a investigação da morte de Rodrigo Marinho Crespo revelou a participação de vários policiais militares da ativa em um grupo de execução/extermínio, um verdadeiro grupo de sicários que se aproveita do poder estatal para criar um poder paralelo e ainda se infiltrar no Poder Estatal, indo dos mais baixos aos mais altos postos de poder", diz a sentença.
"Este grupo não apenas executa pessoas, mas também obstrui investigações e destrói evidências, comprometendo também a reputação da instituição da Polícia Militar, a qual é repleta, na sua grande maioria, de bons e honestos policiais", acrescenta o documento.
Leandro, Cezar e Eduardo foram condenados "pela prática de homicídio qualificado por motivo torpe, mediante emboscada, com recurso que dificultou a defesa da vítima (pelas costas), para assegurar a execução e vantagem de outros crimes praticados pelos denunciados e seus asseclas, interligados a jogos de azar e com emprego de arma de fogo de uso restrito", informou o TJ-RJ.
Durante o julgamento, foram ouvidas 14 testemunhas -- quatro de acusação e dez de defesa -- e os réus foram interrogados. O Ministério Público sustentou que o trio faz parte da organização criminosa chefiada pelo bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, preso pela Polícia Federal e agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
O promotor Bruno de Faria Bezerra disse que o crime teria sido um recado para que ninguém entrasse ou ousasse investir em jogos, numa área dominada pelo bicheiro.
"Rodrigo Crespo estudava entrar no ramo de jogos, as chamadas 'bets', além de montar um 'Sporting Bar', onde poderiam realizar apostas, assim como utilizar máquinas semelhantes a caça-níqueis conectadas à internet, em Botafogo, bairro onde Adilsinho é dono dos pontos de bicho e de um bingo clandestino. Então, a morte dele, encomendada, foi um recado claro", afirmou.
A defesa de Cezar alegou que o cliente não sabia que Rodrigo seria morto e que um homem o contratou para fazer apenas o monitoramento da vítima. Já a de Eduardo disse que ele foi contratado só para atuar como motorista e que também não sabia da morte. Os advogados de Leandro, por sua vez, argumentaram que o nome do acusado não constava no checklist do carro que teria participado do monitoramento de Rodrigo e que o cliente só sublocava carros da locadora para ter uma renda extra.